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Análise: cursos da Rede TVTEC abrem caminho de transformação social

Publicada em 22/08/2017 às 10:54

Por Paulo Brito*

Desde que o mundo é mundo a educação é um desafio tanto para os que ensinam quanto para os que aprendem: seja a disciplina pescar tilápias ou resolver equações exponenciais, tanto faz, o desafio é sempre o mesmo. Um lado precisa emitir informações e outro precisa receber, e o processo de comunicação entre os dois é bem complexo – precisa de mídia, está sujeito a ruídos e a mensagem às vezes precisa ser repetida várias vezes para compreensão, apreensão e memorização de quem recebe.

Milênios atrás, quando ainda morávamos nas florestas e caçávamos, só havia mídia primária, ou seja, nosso próprio corpo – nossa voz e nossos gestos – para dar conta da tarefa de educar. Descobrimos que havia mídias secundárias quando começamos a bater nos tambores e a gravar com resinas o interior das cavernas – e depois Gutemberg aperfeiçoou isso inventando a imprensa (a mídia secundária exige uma superfície que não pertence ao nosso corpo, como o papel por exemplo).

Mas só no século passado chegamos à era das mídias terciárias: equipamentos elétricos e eletrônicos que proporcionam a exibição simultânea ou isolada de textos, sons e imagens, ampliando os detalhamentos, as explicações e a compreensão de conceitos às vezes tão abstratos que desafiam as didáticas mais refinadas. Estas mídias terciárias ou multimídias estão representadas pelo rádio, pela TV, pelo cinema, pelos computadores, gravadores, smartphones e todos os outros equipamentos elétricos e eletrônicos que servem para intermediar a nossa comunicação.

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Em tese, não se pode dizer que uma dessas mídias seja melhor do que outra. Um ator de teatro é pura mídia primária e pode contar histórias riquíssimas. Assim como um livro de contos pode não conter uma única ilustração, e ainda assim ser de extrema riqueza midiática para o leitor, que percorrendo o texto escuta vozes, vê paisagens e pessoas, animais, ambientes, sente aromas e se emociona às lágrimas com o que lê.
De todas as mídias, no entanto, a mais rica que apareceu até agora é o computador nas suas mais variadas formas – PC, notebook, tablet, celular. E o que as pessoas mais buscam com os computadores não são textos, nem podcasts, nem fotos: o que elas mais buscam é vídeo, mostram todas as estatísticas sobre o tráfego da internet.

O encontro da educação com o vídeo não é recente, e desde que ele aconteceu foi possível a organizações dos mais variados tipos ajudar milhões de pessoas no mundo inteiro, levando conhecimento aonde antes parecia impossível: um conhecimento que não precisa ser transportado sob a forma de fitas ou discos – pode ser transmitido para onde for necessário, via satélite, pelo ar, pelos cabos, pela internet. Pode ser visualizado quando se queira. Foi isso que tornou possível, por exemplo, professoras do interior do Amazonas completarem seus cursos de pedagogia na Faculdade de Educação da Unicamp. Ao invés de virem até a Universidade, foi o contrário: a Universidade desenvolveu os conteúdos para ensino à distância e ministrou os cursos, inclusive com professores ao vivo.

A opção da TVTEC pelo desenvolvimento de conteúdos educacionais com foco na população mais frágil tem no mínimo uma semelhança relevante com a estratégia da Unicamp: ela poderá construir para as populações econômica, social e educacionalmente menos favorecidas um caminho para a transformação de suas vidas por meio do conhecimento. Faz todo sentido, também, a opção por um conteúdo relacionado às novas mídias: é aí que estarão as boas oportunidades de trabalho agora e no futuro, e os cursos de formação nessas especialidades são caros e distantes do alcance dessas populações.

É impossível calcular com exatidão ou estimar o impacto positivo que esse tipo de conhecimento irá trazer à vida não só de uma pessoa como também à de sua família. Mas é possível afirmar que esse conhecimento será inexoravelmente transformador.

* O autor é jornalista especializado há 35 anos em tecnologia da informação em geral – e há cinco em segurança da informação. Ganha a vida fazendo reportagens sobre esses assuntos para jornais e revistas. De 2004 a 2007 foi gerente do projeto Bradesco Instituto de Tecnologia, destinado a desenvolver tecnologias em educação para a Fundação Bradesco. Em 1978, fundou com o jornalista Pedro Fávaro Júnior a Imprensa Oficial do Município para reduzir os gastos públicos com a divulgação obrigatória de atos oficiais.




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