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Saúde: encontro de valorização da vida aborda vulnerabilidade LGBT

Publicada em 24/08/2017 às 17:28

Por Pedro Fávaro Jr.

A lei que pune a intolerância e o racismo, no Estado de São Paulo, tem mais de 15 anos. Talvez seja hoje uma das ferramentas mais importantes para garantir a proteção a uma multidão que começa a enfrentar a segregação e o isolamento dentro de casa – quando não a violência – o grupo LGBT. “Sem querer generalizar, mas é muito diferente do que acontece, por exemplo, com um rapaz ou uma jovem afrodescendentes quando sofrem algum ato de discriminação. Nesses casos, a família assume as dores, encampa a luta quase sempre. E o atingido se sente forte, apoiado. Com o LGBT é diferente:  o preconceito começa com um irmão, o pai, a mãe, um tio ou tia, nas comunidades onde a pessoa frequenta e acaba crescendo”, conta a jornalista Heloísa Gama Alves, assessora da Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo de São Paulo. “De um certo modo, essa pessoa se vê sem saída, sem apoio, continua no armário, indecisa, e isso é muito ruim porque o quadro a levará à depressão quase sempre”, explica.

Durante quatro anos, Heloísa esteve à frente da Coordenadoria de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado. Ela vai dar seu relato sobre a vulnerabilidade do grupo LGBT no 2º Encontro de Valorização da Vida – Suicídio, Epidemia Silenciosa, no dia 31 de agosto, a partir das 18h30, no Teatro Polytheama, em Jundiaí. O evento é promovido pela Prefeitura do Município, com o apoio da Rede TVTEC (primeira escola pública municipal do País em tecnologias digitais e produção audiovisual, em convênio com o Centro Paula Souza) e do Centro de Valorização da Vida (CVV).

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Para ela, a partir dos preconceitos nos ambientes onde vive e até de algum tipo de violência física sofrida, a pessoa LGBT entra em depressão e se firma no medo de assumir a sua realidade existencial. Não raro, a tristeza crônica da não aceitação vira impulso ao suicídio. Heloísa vê a existência de marginalização muito forte. Mas acredita que a situação tem melhorado e o preconceito é sempre menor nos grandes centro urbanos do que nas pequenas comunidades. “Um casal homoafetivo anda de mãos dadas mais tranquilo na Avenida Paulista do que em São Miguel, Itaquera ou Guaianazes. Ou se sente menos exposto, numa metrópole, do que numa cidadezinha do interior”, explica.

Ela tenta levantar estatísticas a respeito, com dificuldade. O suicídio é tratado pela polícia de um modo geral, sem levar em conta o gênero. Lembra de um caso emblemático, o do jovem Kaique dos Santos, de 17 anos, em 2014. Ele saiu de uma boate da capital, às 4 da manhã, e foi encontrado morto na 9 de Julho. A perícia concluiu pelo suicídio. Ele teria se jogado de um viaduto na região. “A população LGBT não se conformou com isso. Algumas pessoas não se conformam até hoje, mas ele deixou cartas e as cartas deram o indicativo para esclarecer o caso”, recorda. Informa também que as investigações apontaram para isso e as câmeras do local mostraram o jovem caminhando sozinho sem estar sendo seguido por ninguém. “As cartas também davam o indicativo de depressão”, completa.

No evento que participará Heloísa, o médico psiquiatra Fernando Fernandes será o palestrante principal. O psicólogo e mestre em Psicologia Clínica, Alexandre Moreno Sandri, apresentará a Cartilha de Prevenção ao Suicídio. Em seguida, serão feitos relatos do coordenador regional do CVV, Sérgio Antônio Batista, sobre as situações enfrentadas; da professora Clara Magalhães, do Centro Paula Souza, sobre a vulnerabilidade de internos da Fundação Casa; e de Heloísa, sobre o desamparo vivido pelo grupo LGBT.

Serviço: 2º Encontro de Valorização da Vida – Suicídio: Epidemia Calada

Local: Teatro Polytheama, Rua Barão de Jundiaí, 176, Jundiaí – São Paulo

Horário: 18h30, abertura; 19h – início das palestras.




Link original: https://tvtecjundiai.com.br/2017/08/24/saude-encontro-de-prevencao-ao-suicidio-aborda-vulnerabilidade-em-grupo-lgbt/