{"id":82214,"date":"2021-09-15T11:49:51","date_gmt":"2021-09-15T14:49:51","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/?p=82214"},"modified":"2021-09-15T11:50:04","modified_gmt":"2021-09-15T14:50:04","slug":"mata-atlantica-mantem-media-de-cobertura-florestal-ha-35-anos-gracas-a-replantio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/2021\/09\/15\/mata-atlantica-mantem-media-de-cobertura-florestal-ha-35-anos-gracas-a-replantio\/","title":{"rendered":"Mata Atl\u00e2ntica mant\u00e9m m\u00e9dia de cobertura florestal h\u00e1 35 anos gra\u00e7as a replantio"},"content":{"rendered":"\n<p>A cobertura florestal da Mata Atl\u00e2ntica manteve-se praticamente est\u00e1vel nos \u00faltimos 30 anos, mostra levantamento in\u00e9dito do MapBiomas, em um processo com perda de florestas maduras e regenera\u00e7\u00e3o com matas jovens. Entre 1985 e 2020, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foi de 10 milh\u00f5es de hectares. Nesse mesmo per\u00edodo, a \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria ganhou 9 milh\u00f5es de hectares. Os 465.711 km\u00b2 representam apenas um quarto da \u00e1rea original. Por outro lado, a cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020 \u2013 uma relativa estabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2000 e 2010, a Mata Atl\u00e2ntica ganhou 5.754 km\u00b2 de florestas replantadas. Desde 2000, o Estado de S\u00e3o Paulo manteve o crescimento da \u00e1rea. No entanto, de acordo com o Mapbiomas, a perda ainda pode ser observada em regi\u00f5es como a das florestas de arauc\u00e1rias do Paran\u00e1 e no norte de Minas Gerais, na divisa com a Bahia. Mas n\u00e3o s\u00f3, o mesmo processo ocorre em \u00e1reas de campos naturais, como na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre 1985 e 2020, a perda de forma\u00e7\u00f5es campestres foi de 28%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"932\" height=\"524\" src=\"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/09\/1631672986389.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82215\" srcset=\"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/09\/1631672986389.jpg 932w, https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/09\/1631672986389-300x169.jpg 300w, https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/09\/1631672986389-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 932px) 100vw, 932px\" \/><figcaption>Trecho da Mata Atl\u00e2ntica na Rodovia dos Imigrantes, no Estado de S\u00e3o Paulo Foto: MARCIO FERNANDES\/ESTAD\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Mapbiomas \u00e9 um projeto que re\u00fane universidades, organiza\u00e7\u00f5es ambientais e empresas de tecnologia. De acordo com o levantamento, al\u00e9m da mata preservada, hoje outros 25% s\u00e3o ocupados por pastagens; 16,5% por mosaicos de agricultura e pastagens; 15% pela agricultura; 10,5% por forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica e outras naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 o caminho que o Brasil vai escolher seguir nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do bioma, que se estende por 17 Estados (em 15 deles de forma cont\u00ednua), e \u00e9 um dos maiores \u201chot spots\u201d do mundo \u2013 altamente biodiverso e amea\u00e7ado. Observar o processo de ocupa\u00e7\u00e3o e uso ao longo dos s\u00e9culos \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de olhar para a hist\u00f3ria do Brasil. Da explora\u00e7\u00e3o do pau-brasil ao caf\u00e9, passando pelo ciclo da cana-de-a\u00e7\u00facar, o desenvolvimento econ\u00f4mico passou pelo bioma. \u201cCerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o e 80% do PIB brasileiro est\u00e3o assentados nesse bioma e dependem dos servi\u00e7os ambientais da Mata Atl\u00e2ntica para, por exemplo, ter acesso a recursos h\u00eddricos\u201d, diz Luis Fernando Guedes Pinto, um dos coordenadores do levantamento e diretor de Conhecimento da SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o levantamento, que considerou \u00e1reas de at\u00e9 meio hectare de mata em variados estados de preserva\u00e7\u00e3o, 50% do bioma est\u00e1 em \u00e1reas privadas. \u201cPor tr\u00e1s dessa aparente estabilidade est\u00e1 o fato de que foram desmatadas enormes \u00e1reas de florestas prim\u00e1rias\u201d, diz Luis Fernando.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1985 e 2020, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, original, foi de 10 milh\u00f5es de hectares. Nesses per\u00edodo, a \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, replantada, ganhou 9 milh\u00f5es de hectares. \u201cAs florestas secund\u00e1rias t\u00eam menor biodiversidade e menor quantidade de carbono armazenado\u201d, explica Marcos Reis Rosa, tamb\u00e9m coordenador do levantamento. \u201cNo entanto, n\u00e3o significa que n\u00e3o s\u00e3o importantes. Nesse processo de crescimento dessas \u00e1reas, a absor\u00e7\u00e3o de carbono \u00e9 maior do que nas \u00e1reas estabelecidas. O caminho \u00e9 parar de desmatar o que j\u00e1 existe e estimular o reflorestamento\u201d, completa Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro indicador negativo, diz Luis Fernando, \u00e9 que mesmo as florestas secund\u00e1rias t\u00eam vida m\u00e9dia de 4 a 6 anos antes de tamb\u00e9m serem derrubadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1GUA<br><\/strong>Em meio \u00e0 pior crise h\u00eddrica dos \u00faltimos 90 anos, diversos estudos e especialistas v\u00eam alertando para o estado de preserva\u00e7\u00e3o das principais bacias hidrogr\u00e1ficas. \u201cA crise h\u00eddrica pela qual passa o centro-sul hoje \u00e9 resultado tamb\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o desorganizada das \u00e1reas de nascentes dos rios do bioma\u201d, diz Luis Fernando.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo estudado, observa-se o avan\u00e7o de \u00e1reas protegidas nas nascentes de rios, com a substitui\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es por \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente (APPs). No entanto, algumas das mais importantes bacias continuam amea\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>A do Rio Paran\u00e1, por exemplo, teve a cobertura nativa reduzida de 24% em 1990 para 19% em 2020. A do Rio Grande, de 21% para 20%. No mesmo per\u00edodo, outras ficaram est\u00e1veis ou tiveram crescimento discreto. A bacia do Rio Tiet\u00ea passou de 19% para 20%. A do Paranapanema permaneceu est\u00e1vel em 23%. A bacia do Para\u00edba do Sul oscilou de 27% para 29%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Reis ainda h\u00e1 espa\u00e7o para iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o de reflorestamento avan\u00e7arem no bioma. \u201cEm S\u00e3o Paulo, as \u00e1reas de pastagens passaram de 9 milh\u00f5es de hectares para 4 milh\u00f5es de hectares no per\u00edodo\u201d, diz. Substitu\u00eddas por cana-de-a\u00e7\u00facar, o melhor aproveitamento dessa \u00e1rea com a implementa\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos ao reflorestamento precisa ser um dos caminhos, defende o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>O alerta converge com o relat\u00f3rio do IPCC publicado neste ano. O painel clim\u00e1tico da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apontou que at\u00e9 2040, uma d\u00e9cada antes do que era previsto, a temperatura m\u00e9dia da Terra deve chegar a 1,5 grau acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Entre as consequ\u00eancias para o Brasil est\u00e1 a perda da capacidade de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola causada por estiagens no Centro-Oeste. O mesmo efeito clim\u00e1tico se espera no Nordeste e na Amaz\u00f4nia. Para o Sudeste brasileiro, os efeitos esperados s\u00e3o chuvas fortes e enchentes mais constantes. O mesmo relat\u00f3rio afirma que medidas precisam ser tomadas imediatamente para, ao menos, diminuir o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cA janela de oportunidade existe e precisa ser para j\u00e1\u201d, afirma Luis Fernando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>(Fonte: Estad\u00e3o\/Imagem: Marcio Fernandes)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020, o que representa relativa estabilidade.<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":82215,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3569,1],"tags":[],"class_list":["post-82214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82214"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82216,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82214\/revisions\/82216"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtecjundiai.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}