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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
25
agosto 2017

A espiral da vida sugere novos contornos

Leia mais Análise

Por Roger Marzochi*

A vida realmente se desenvolve em uma grande espiral, como um móbile gigantesco. Passamos pelos mesmos problemas a vida inteira, mas em uma posição sempre diferente, acima ou abaixo da linha do tempo, dependendo de nossa capacidade de reconhecer os erros, de nossa fé, autoanálise e capacidade para seguir em frente. E a internet, como expressão da busca do ser humano por comunicação, é parte do fio que nos sustenta.

Após uma dura decepção com o jornalismo investigativo, em 2005, decidi me dedicar ao estudo do saxofone que comprara em 12 vezes, após assistir um show trompetista Wynton Marsalis, em 1999, em São Paulo. Tarefa árdua, uma vez que não me entrava na cabeça a leitura de partitura, sem contar a necessária preparação física para emitir som no instrumento. Com a entrada de Renata Freitas na diretoria da Agência Estado e com um chefe inspirador como Pedro Fávaro Jr. decidi começar a escrever sobre música, acumulando com a função de editor-assistente de economia.

O primeiro artigo foi divulgado em 2009, com uma entrevista com os pianistas David Brubeck e João Carlos Martins. Muitos outros se seguiram, a experiência deu certo, apesar do esforço em dar conta de duas funções. Mas o meu foco em escrever sobre bandas de jazz, com público considerado restrito, dando espaço para artistas com pouca exposição na mídia, incomodou a direção da agência, após a saída de Renata Freitas do comando.

Queriam que entrevistasse artistas já consagrados, pediam-me Maria Bethânia, Caetano Veloso. Após um ano de tentativa, consegui entrevistar Altamiro Carrilho e Milton Nascimento, mas parece que não valeu à direção. Eu teria feito, na concepção deles, uma reportagem de fã com Bituca. E, sem dúvida o fiz, porque inclusive, ao fim da entrevista, toquei no saxofone o início de “Ponta de Areia”, levando o sax às escondidas para o estúdio de rádio, no qual a entrevista por telefone foi realizada. Fracassei. Adoeci. E fui demitido em 2012. Já possuía um blog no Blogspot, mas queria um domínio e uma página bonita.

Criei o entresons (www.entresons.com.br) em novembro de 2012, uma ideia antiga que simbolizava uma suposta divisão que havia em minha mente “entre” o músico e o jornalista. Seria possível ser repórter de cultura desejando, em seu mais íntimo, ser músico? O layout da página foi feito pela multi-instrumentista Dani Gurgel.  Hoje, com a ajuda de muitos amigos, consigo sentir que não há mais essa divisão em mim. E o blog me trouxe muitas alegrias, boas histórias e muita música boa. O blog, na verdade, me deu um caminho para a realização pessoal.

Entre 19 de agosto de 2016 a 17 de agosto de 2017, a média mensal foi de 458 usuários ativos, de acordo com dados do Google Analytics. Desses usuários ativos, 70,8% realizaram o acesso do Brasil (53% no Estado de São Paulo) e 17,6% dos Estados Unidos. Para um blog com atualização semanal, é uma grande façanha. Mesmo com esses dados, não consegui apoio publicitário consistente, fato que encarei como desafio e que me instigou a buscar e encontrar novas formas de remuneração.

Criei, também, a Radio Marza, canal no YouTube com o objetivo de divulgar entrevistas e composições. Abri uma página de artista no Facebook (@roger.marzochi.sax), com a ideia de cultivar um público para um disco que pretendo gravar, um sonho de músico. E, em 2017, criei a Prana Comunicação (@pranacomunica), assessoria de imprensa para divulgação de projetos culturais e iniciativas na área de saúde e bem-estar.

A internet e as redes sociais abrem uma imensa oportunidade para a divulgação de ideias, especialmente em um momento no qual os meios de comunicação tradicionais estão sofrendo com a redução de páginas, telespectadores, leitores e publicidade. Os veículos tradicionais não vão acabar, ainda têm papel importante na sociedade, mas novas formas de comunicação se fortalecem.

Sob esse aspecto, acredito que a Rede TVTEC escolhendo educar para a formação, nessa área, contribuirá para a redução da vulnerabilidade social, especialmente atendendo as pessoas que estão sem trabalho e têm interesse pela área. Para saber como sobreviver nesse novo ambiente que se desenha, é preciso conhecer as ferramentas digitais. Quebrar barreiras. Essas barreiras, no entanto, são muito menores que um poder difuso que, de cima, define o que você deve escrever, tocar e pensar. A espiral da vida faz hoje um novo contorno.

* O autor é jornalista há 21 anos e saxofonista há 12 anos. Atuou nas editorias de política, cidades, economia, ciências, tecnologia e cultura. Sobrevive como repórter free-lancer e assessor de imprensa.



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