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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
21
setembro 2017

Se for o fim, ainda dá tempo para um happy hour!

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Por Pedro Fávaro Jr.

Perdão, queridas leitoras e queridos leitores. Não tem como não escrever sobre isso, hoje. O assunto é sério também. Fala de vida, qualidade de vida e qualidade de morte. Assuntos sobre os quais, nós seres humanos precisamos nos entender sempre. É que, considerada a notícia como verdade, ela obriga dizer que resta pouco a comunicar e, o pouco que resta, nesse caso, parece igualmente meio incomunicante.

Eis o X da questão. Ou o Planeta X que David Meade, um numerólogo republicano do estado de Kentucky (EUA), garantiu, se chocará com a Terra neste sábado, 23 de setembro de 2017.  O apocalíptico senhor também garante, como tantos outros que tantas vezes anunciaram o fim do mundo, “que a Nasa sabe de tudo desde sempre e está escondendo tudo”.

Cena do filme Melancolia: planeta gigante que se choca com a Terra

Proponho, pois, primeiro, o exercício de acreditar que não restará pedra sobre pedra, numa antecipação estratégica da hecatombe que, consumada, deixará todos os cenários imaginados e discutidos aqui absolutamente inúteis.

A profecia é de que o Planeta X, cognominado Nibiru, uma espécie de estrela que viaja acompanhada do conjunto de suas companheiras, amigas conquistadas na gravidade do Sistema Solar, vem a toda velocidade e a da luz e dará uma estupenda trombada com a Terra neste sábado, 23 de setembro.

Se for assim, restam-nos poucas, contadas e boas horas já que, em decorrência do choque, não sobrará “pó de nitrato de espirro”, como vaticinaria um mordaz cronista de Jundiaí lá pela segunda metade do século 20, quando nossos medos ainda não era intergalaxiais, apenas humildemente terrestres.

Sempre houve, na história da humanidade, os anúncios de fim de mundo nas viradas de séculos. Quase como um vício, que sempre culminava em alguma festa, comemoração, bagunça…

Na era moderna, havia o medo de alguém não atender o telefone vermelho que ligava Washington a Moscou quando as duas eram capita mundi – a cabeça do mundo, como se o mundo fosse uma serpente bicéfala. Moscou capitaneava a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – a cortina de ferro –, soterrada na queda do Muro de Berlim.  Washington continua ameaçadora e até mais radical. Mas não se pode negar, de verdade, bem meia-boca.

Depois, os medos se transferiram achando que as coisas se complicariam com Israel, Palestina, Vietnã, Afeganistão, Irã versus Iraque, com os EUA versus Iraque, com o 11 de Setembro e o golpe mortal na cabeça dos mercados, a Bolsa de Nova York. Na sequência, EUA versus Sadam, Bin Laden e EUA versus, versus, versus etc etc etc etc… Mas não, a questão neste setembro de 2017 é o xis, o Planeta X

Os medos da hecatombe natural – avivados por tantas catástrofes naturais recentes – vide furacões na Flórida e terremoto no México – é antigo. As estrelas caiam e os egípcios, mesopotâmios, gregos, romanos, ensimesmavam-se a pensar o que seria do tabuleiro mundo, reto e plano, caso um trem daqueles lhe fizesse um buraco bem no centro… Mas o mundo, para o espanto de muitos, era redondo…

Agora nos pega de surpresa, nesse mundo – mais chato até do que redondo –, essa conversa do Planeta X que, comprovada, nos dá mais esses poucos momentos para pôr em dia o que for preciso: perdões, amores, dívidas, vontades irrealizadas (eu, que droga!, adiei tanta coisa da minha lista de desejos).

Mas, ufa! Que alívio! E este é o segundo cenário: que bom, gente querida, que Nibiru, se chegar, virá no sábado! Assim, sobram, para a gente se despedir, a tarde e a noite de sexta-feira. Se o fim do mundo for mesmo neste sábado, pelo menos o happy hour a gente garante!

***

Consultei o amigo jornalista e escritor Carlos Orsi, jundiaiense, especializado em Astrologia e assuntos científicos. Autor de O Livro da Astrologia, análise dos estudos científicos a respeito dessa prática e de outros livros, ele me disse o seguinte: “Previsões de fim do mundo são tão comuns que algum dia alguém vai acertar por pura sorte – ou azar. Mas essas profecias envolvendo planetas errantes são as mais difíceis de estarem certas, porque um corpo assim já teria sido detectado por satélites ou telescópios “. Recomendou como leitura um belíssimo artigo de sua autoria Ensaio sobre os temíveis ‘planetas gigantes’ que nunca colidem com a Terra (é só clicar aqui e ler) publicado pela revista Galileu. No final, brincamos os dois que, se ele errar desta vez, ninguém vai conseguir contestar…

 



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