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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
02
outubro 2017

Você é o que você clica

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Por Pedro Fávaro Jr.

Para a Neurolinguística, somos aquilo que pensamos, o que a mente cria sobre nós mesmos e os outros. Na internet, a coisa é bem parecida. Meu conhecimento a respeito é pequeno, mas sou usuário de internet desde 1996. Sendo assim, creio poder dizer pela experiência que, no mundo virtual, da inteligência artificial, eu e você somos aquilo que clicamos ou, praticamente, acabamos “configurados” pelos cliques dados todos os dias ao todo-poderoso senhor “Algoritmo”.

Consultados especialistas sobre o palpite, posso dizer também, sem medo de erro, que o cobrador do aluguel, pelas nossas estadias nas variadas mídias sociais (tem gente que ainda acha a estadia gratuita!), chama-se Algoritmo. Os donos desses sítios, os locadores, os construtores de ferramentas para as estradas que percorremos aí, são pessoas empreendedoras feito um Steve Job, Bill Gates ou Mark Zuckerberg, para falar de poucos. O dinheiro do aluguel, claro, fica com eles…

Assim, seu CPF, identidade, contas bancárias, renda, gostos, costumes, valores, humores, corte de cabelo, preferências gastronômicas, locais preferidos, estão ali, bem guardados, no cofre do senhor Algoritmo. Ele junta o que pode e entrega ao banco de dados do locador que investiu na sua criação, desenvolvimento e aperfeiçoamento. Agora, o senhor Algoritmo se alimenta do que cobra: os cliques nossos de cada dia.

Então, não reclame se estão aparecendo muitos desastres de aviões com despojos de pessoas na sua página, vídeos violentos de ação policial ou belas jovenzinhas seminuas que, sendo vistas por sua mulher ou namorada de esgueio, a deixaram irritada. Ou saradões que irritaram seu noivo, no caso de você ser menina. Ou muita propaganda e e-mails de objetos sacros ou litúrgicos, se for rabino, aiatolá, pastor ou padre… Na internet, você é o que você clica – seu perfil (ou seja, aquilo que você gosta ou é) acaba sempre colocado no mercado pelos locatários do espaço por onde você trafega.

Se você está na minha faixa de idade, talvez ainda não se tenha dado conta que existem dois mundos: um, agonizante, onde vivemos aqui no Brasil até a última década do século 20, o mundo offline, dialógico, em que havia instituições formais, dando ordens a empregados regulares e com regras válidas e legitimadas em todas as partes, burocrático e arrastado. Por volta de 1996, entre nós, começa a brotar forte o mundo online que foi se ampliando e hoje está presente na vida diária de todos nós, especialmente via celular e nos computadores caseiros (notebooks) e nos PCs do trabalho.

Um mundo praxiológico, de novas regras e exigências novas, valores efêmeros, exigindo rapidez e novas linguagens. Atendimento múltiplo e empatia. Muita coisa que ainda está incompreendida. Hoje, existe uma geração inteira online – e por mais que algum conservador deseje saltar fora, é preciso dizer a ele aqui: o mundo redondo, agora também é virtual. É a realidade do agora. O ontem ficou para a arqueologia.

Na luta por poder nesse imensurável mundo virtual, existem os ladrões de perfis, os hackers, que vira e mexe conseguem se passar pelo senhor Algoritmo e se disfarçam para conseguir roubar cadastros, com senhas e perfis de pessoas ligadas a grandes corporações, quando não roubar dinheiro mesmo… Existem os caçadores de hackers que criam os chamados honeypots, ferramentas que simulam falhas em sistemas para capturar informações dos invasores.

São assuntos interessantes, para especialistas. Para nos aprofundarmos. Se você não é especialista, como eu, mas gosta desses temas e apenas entra nas redes sociais para conversar, buscar entretenimento, partilhar suas vitórias e fracassos com os grupos com os quais se identifica, é bom que, no mínimo registre o que acabo de postar aqui: não existe, no mundo virtual, como no mundo real, refeição grátis. De alguma maneira, você sempre paga.



Quem já participou (2)

  • Pedro Alves Moreira disse:

    Prezado Pedro Fávaro Jr.

    Muito esclarecedora esta matéria, nos ajuda a ter uma visão, lógica, das pesquisas que fazemos rotineiramente.
    Ficamos surpresos, quando pesquiso preço de uma passagem aérea, ou um hotel e no momento seguinte, nossa telinha fica cheia de ofertas dos produtos pesquisados. Coincidência, não. Fruto do “Algoritmo”.
    Parabéns.

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