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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
26
outubro 2017

Palavra forte tem história

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Por Pedro Fávaro Jr.

Palavras são transformadoras. Edificam ou destroem. Consolam ou irritam. Dão vida ou matam!

Palavras são poderosas!

Ouvi isso em aulas de Literatura, de Teologia, em treinamentos de Programação Neurolinguística, em aulas de Escrita Criativa, de Oratória e, numa última vez, recentemente – e me chamou a atenção – em uma palestra sobre Escrita Afetuosa, (achei esse adjetivo o máximo, para a escrita), vindo de uma pessoa de alma vigorosa, moça chamada Ana Holanda.

Chamou atenção porque a palestrante realçou que as palavras – como empoderamento, inovação, disruptura, empatia, sinergia, alinhamento, solidariedade – ditas ou escritas, só ganham poder e força, de fato, quando estiverem plenas, cheias, recheadas de história.

Palavras sensibilizam e movem se estiverem devidamente encarnadas, diz a Ana Holanda e lembra que “a escrita é primordialmente um encontro”. Quanto mais você se colocar na sua escrita, seja ela qual for – do recado escrito ao filho, para fechar a porta quando sair, ao ensaio sobre tecnologias digitais –, quanto mais entrega houver, mais você acessa o outro e se torna acessível também.

Considerado o preâmbulo, portanto, posso afirmar que palavras que não trazem ou não levam histórias são vãs, porque incapazes de fazer surgir laços entre quem escreve e quem lê, quem fala e quem ouve, quem as mostra e quem vê, quem as codifica e quem as decifra. Talvez por essa razão, todos os dias, eu busque depois das preces da manhã, algo efetivo para ler.

O que busco então? Laços!

Um conto, uma crônica, um poema, algo científico que possa ajudar a viver melhor. E hoje, dia de postar aqui algo que fale sobre comunicação na era da tecnologia digital, me encontrei com uma crônica de 1976, do mestre e amigo Sandro Vaia, pescada no baú dos meus alfarrábios. Do tempo de enfrentamento à ditadura militar. Achei justo e necessário compartilhar.

Naquele ano, numa outra dimensão, os problemas e as buscas na área de Comunicação eram mais ou menos os mesmos. Estava começando a se desenhar a Aldeia Global de Marshall McLuhan. Os modelos comunicacionais estavam em transformação. Posta Restante, o nome da crônica do Sandrão, dá boas pistas. Para os mais pós-modernos, aviso que posta restante era a carta que ficava no correio até ser reclamada, por não terem encontrado o destinatário.

Hoje, seria o equivalente à mensagem do whatsapp que você lê dois dias depois e sobre a qual foi cobrado ou cobrada pelo autor em outras duas mil mensagens. Ou pior, às contas em atraso que o Correio, cada vez mais paquidérmico, não entrega. Mas vamos ao que tem carne, substância, até hoje, as palavras escritas pelo Italiano que tomarei a liberdade de resumir. Vamos lá, então. Deleitem-se!

“Walter:

Estamos todos gordos e preguiçosos, pelo menos de alma. Não se varam mais madrugadas pensando em ângulos geniais nem em estratagemas para sensibilizar a alma de pedra do nosso eterno inimigo, o homem da rua, o leitor.

As mensagens que se emitem não agarram mais o receptor pela cabeça, ou pelo estômago, que é mais sensível e mais fácil de atingir.

Os ângulos das fotos estão chapados e a retícula aberta ou fechada é mais importante do que a ideia. As fotos que você queria humanas, onde você insistia em colocar vida, andam sendo publicadas por encomenda. Algumas delas com fatura de 30 dias fora o mês.

… Estamos um pouco mais racionais, um pouco mais lógicos, um pouco menos emotivos, um pouco menos passionais. A gasolina está cara e a prestação do carro não pode atrasar, que o SPC pega no pé.

A cidade não mais a mesma que você fotografou, porque dizem que progrediu – no lugar das figueiras da praça onde você morava, há uma estação rodoviária.

Os textos estão rançosos e naquelas páginas onde você queria imprimir emoção agora se imprime editais, matérias pagas e press-releases. A prosperidade finalmente chegou para os que a perseguiam. Se há alguma consciência doendo é difícil saber, porque não se ouvem os gemidos.

…Os idiotas, você deve saber, continuam idiotas irremediáveis… Você queria a humanidade perfeita, embora se contentasse em se espreguiçar ao lado dela, olhando-a com um ar de irônica complacência. Acho que a essa altura você já deve ter desistido de querer, mas não acredito que tenha desistido de se espreguiçar…”

É só um trecho. Basta para mostrar que as questões que afligem o comunicador de hoje, são semelhantes às que afligiam o de outrora. Mas aqui a diferença é que tudo pode ser visto e sentido porque as palavras de Sandro são poderosas – poderosíssimas, aliás – porque se plenificaram na própria história de quem as gestou e trouxe à luz, numa doce e feliz escrita afetuosa.



Quem já participou (2)

  • Ivani Malattesta Martins disse:

    O Poder da palavra falada realmente se concretiza quando repetidas varias vezes. Porque rezamos mil Ave Marias ou apenas 3 ou 10 como no rosário? A palavra tem poder. Palavras que ferem ou magoam, deixam marcas profundas no coração. Muitas vezes o perdão demora à limpar o coração daquele que o feriu. Sim palavras são para ser refletidas e pensadas antes de dizê-las.

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