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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
20
novembro 2017

Tecnologia, aprendizado, riscos e a verdade

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Por Pedro Fávaro Jr.

Que nome dar ao nosso tempo? Sociedade pós-industrial? Era da Quarta Revolução Industrial? Sociedade da informação e do conhecimento? Era da Tecnologia? Como disse, sabiamente num dos primeiros artigos neste blog o mestre a amigo, jornalista Sérgio Vaz, seja lá qual for o nome que queiramos dar ao nosso tempo atual, em que as relações individuais e coletivas, intelectuais e afetivas, psicológicas e emotivas, comerciais e familiares são mediadas por infinitos dispositivos – câmeras, celulares, tablets, PCs etc etc etc – não está eliminada a necessidade de que, atrás de cada um desses aparelhinhos exista uma “testa”, uma cabeça portadora de inteligência, de raciocínio, de discernimento.

O fato que ainda se procura compreender em profundidade e extensão é como o uso de tais dispositivo pesa, influencia, interfere no comportamento de pessoas e instituições que num intervalo de tempo curtíssimo saíram de uma sociedade institucionalizada, individualista, de líderes destacados pelo pensamento e atitudes, de movimentos previsíveis e exigidos pelos padrões éticos construídos em vinte séculos, para um modelo de sociedade imprevisível, de movimentos feitos à velocidades alucinantes e que, aos poucos, vai se reavaliando e instaurando novos padrões éticos em todos os campos.

Sempre para avançar e evoluir o indivíduo passa por quatro estágios de um processo de aprendizagem. Sai primeiro de uma incompetência inconsciente (não sabe ou não entende alguma coisa e não sabe que não entende) para uma incompetência consciente (sabe que não sabe). Quando chega nesse terceiro estágio, o indivíduo tem a possibilidade de um grande salto para a competência consciente (sabe e entende como fazer) e depois entra no processo de competência inconsciente (sabe fazer tão bem que faz a coisa repetidamente e se torna hábil no que faz).

Exemplo desse último estágio: quando você chega a 20 anos habilitado como motorista. Dirige quase que mecanicamente pois já possui a competência inconsciente, de tanto que já dirigiu. Pode ser também o nível de um músico capaz de tocar uma peça dificílima sem errar ou olhar a partitura, por ter adquirido a competência inconsciente de tanto praticar. Nesse estágio, todavia, são necessárias a concentração e o foco para evitar o erro.

A impressão que tenho, sobre a sociedade que vivemos hoje, nesses primórdios de século 21 – demos a ela o nome que quisermos – é a de que estamos chegando ao final do primeiro estágio, o da incompetência inconsciente coletiva para entrar, daqui a algum tempo, o no estágio de incompetência consciente, embora possa haver uma minoria que trafega pelas redes sociais e use a tecnologia com habilidade incontestáveis.

O maior risco, vendo o rumo dado ao uso dessas ferramentas fantásticas, é o de que pilotos amadores ainda, decidamos entrar num autódromo tipo Indianápolis, aquele das 500 milhas, por não saber que não sabemos, para ver entre nós quem são os melhores. Às vezes, as disputas nas redes sociais me dão essa impressão. Como escreveu Richard Bach, com muita simplicidade, em passado nem tão remoto assim, “o não saber não impede a verdade de ser verdadeira.” Às vezes, terrivelmente verdadeira.



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