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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
25
dezembro 2017

AUTO DE NATAL

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Pedro Fávaro Jr.

Entramos na Quarta Revolução Industrial. Entramos na Era da Tencologia.  Se perdermos algumas de nossas telas, hoje, sentimo-nos limitados ou incapazes. Essa crença limitante é a prova, pelo menos para mim, de que toda essa evolução material, que alimenta o consumismo e o relativismo, não foi acompanhada por uma evolução do pensamento e do espírito humano. Prova cabal disso, a meu ver, é o fato de que a absoluta maioria nasce muito distante dessas comodidades e facilidades. Sendo assim, permito-me refletir de novo sobre o Natal, trazer de um muito simples, talvez o modo mais popular de contar uma história que é o cordel, a história que – eu creio – não nos permite esquecer quem realmente somos, em qualquer tempo, e o que temos feito em relação ao outro. Natal é tempo propício para encurtar essa distância entre o que fazemos e o que realmente somos.

Feliz Natal!

 

AUTO DO MENINO JESUS

Cantada assim desse jeito,

Nos versos deste cordel,

Essa história que veio do céu,

Parece bem mais humana.

Fica perto de nosso  tempo

De tanto horror, tão cruel,

Que faz doer nosso peito.

  ***  

Mostra a sina da mocinha,

Filha de Ana e Joaquim,

Prometida em casamento,

Que no meio do caminho

Viu-se em grande tormento

Tendo um filho na barriga,

Apesar da pouca idade!

  ***  

Filho anunciado por anjo

Que garantia o milagre

Da sombra fecunda do espírito

De mesmo, sem ser tocada,

Ter a criança anunciada

Conservando a virgindade.

  ***  

Jovens, mulheres e velhos

zombavam, faziam pouco.

O povo de toda a cidade

falava mal da coitada.

A tradição vai contar:

Ninguém defendia a mocinha

Nem padre, nem autoridade.

  ***  

Muito pior do que isso!

A lei daquele lugar

Obrigava toda mulher

Suspeita de traição

A beber uma poção

Amarga, de ervas e água,

Para fazê-la abortar.

  ***  

Bebida a água danada

E se vingasse a criança

(o que ninguém desejava)

Deixava-se a moça partir,

Livre e sem compromisso,

Para onde ela quisesse!

Mas ela partia marcada…

 ***  

Cheia de fé e esperança,

Sem se importar da zoada,

Sem medo do que viesse,

O peito livre de mágoa ,

Bebeu a água amarga

Da inveja e da cilada.

E não perdeu a criança.

  ***  

O noivo infeliz e acuado,

Motivo de caçoada,

De ver aquele tumulto

Pensava no seu coração

No modo melhor que teria

De se livrar desse drama

De como largar a amada.

 ***  

 Tentado pelo demônio

Pensando no que fazer

Pediu socorro a Deus Pai

Que o inspirou por um anjo

Aparecido em um sonho

A manter sua palavra

E a ficar no matrimônio.

  ***  

José ficou com Maria

Firmes os dois no amor

Até que chegou o dia

De vir a criança à luz.

E só encontraram amparo

Pertinho dos animais

Recolhidos à estrebaria

  ***  

Assim, na pobreza e louvor,

Nasceu entre nós o menino

Anunciado pela estrela,

Cercado de cantos e luz,

Visitado por pastores,

Reis, anjos e arcanjos,

Jesus, o nosso Senhor!

  ***  

É isto que celebramos

E lembramos neste dia.

Que pelo seu grande amor

Aquele que era Deus

Fez-se criança conosco

Devolveu-nos a esperança

Restaurou nossa alegria!

  ***  

Assim, começa a história

Que ainda não teve final

De um tempo glorioso e novo

De um povo chamado cristão

Guiado pelo Menino

Saudado por reis e pastores,

Surgiu para nós o Natal!

(Pedro Fávaro Jr.)



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