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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
27
junho 2018

Torcer pelo tributo aos nossos vencedores

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Para sapecar a bola na rede, hoje, o atleta profissional ganha milhões e milhões para estudar e treinar, se aperfeiçoar, chegar aos índices bestiais de aeróbica, resistência e precisão para os quais, antes, ninguém ligava muito, porque o divertido mesmo era fazer a bola viajar em lindas parábolas, linha reta ou percursos inimagináveis pela lógica. Essa era a brincadeira. A brincadeira não era saber quem vai dar mais, a Nike, a Adidas ou a Under Armour que batalham no campo da capita mundi, Wall Street, dando suas fintas no mercado. Não. A rainha da brincadeira não era a moeda, era a bola.

Quero fazer esse tributo aos vencedores, antes do jogo do Brasil com a Sérvia. Depois se tiver voz, se não tiver ficado fanho e não tiver me contundido nas comemorações ou murros de descontentamento no chão, comento o resultado.  Não considero nostalgia, porque na Copa do Mundo de 1958 eu tinha 5 anos, na de 1962, tinha 9 e tinha 17 no Tri. Em 1994, no Tetra estava no Correio Popular, bem adulto, casado e pai de três filhos. E em 2002 sai na avenida tocando corneta e apito. Considero tudo isso experiência de vida. Não nostalgia. Razão pela qual quero fazer aqui o meu tributo aos vencedores sem execrar as seleções do mercado. Elas cumprem seu papel, no seu tempo e, quem sabe, mais adiante alguém lhes tribute algum louvor que agora me escapa.

Em 1994, a bola viajava pouco, porque já estava travada nas linhas de quatro e no esquema “zinho-enceradeira” do Parreira. De verdade, ainda assim, não se pode esquecer Romário (que trocou a beleza do que fazia para fazer política partidária em outros campos cujo domínio não chegou a 1% da bola dominada na área e convertida), Bebeto, Branco, Romário, talvez Taffarel… Lembro pouco desses atletas, apesar da conquista deles que chamei de “não-conquista” em crônica da época, porque a Itália perdeu a Copa nos pés de seu grande artilheiro, Paolo Rossi. E, em 2002,tem-se que registrar Rivaldo, Ronaldinho recuperado (só para botar mais um erre) e o Ronaldinho Gaúcho. Tinha Cafu também e São Marcos… Mas o time já era o do mercado.

Quero evocar aqui os heróis que brincavam no campo, independentemente do tamanho do jogo. Aqueles que brincavam de drible da vaca em zagueiros de qualquer nacionalidade, nem que errassem o gol – só para criar o espetáculo. Na defesa, Belini, por exemplo, cuja presença se impunha, do mesmo modo que Vavá e Pepe na frente. Pelé para mim será sempre inigualável, mas em 1962, Amarildo o substituiu com louvor. Ou aqueles que sem bem saber onde estavam, como Garrincha, criaram entortadas geniais a partir de suas próprias fraquezas, como as pernas tortas. Ou a “folha seca” de Didi, que apavorava os adversário ao bater faltas. A visão de jogo de Nilton Santos, Zito ou Zagalo. Esse foi o tempo do futebol arte.

Dele, ainda, cabe aqui trazer à memória a seleção fantástica de Telê Santana que derrotada em 1982, saiu como a melhor seleção de todas as copas, com Falcão, Sócrates, Careca, Zico, Júnior, Éder e outros jogadores fantásticos. Tudo isso para dizer que torço, mas torço muito para que essa seleção do mercado faça justiça à memória das seleções “arte”, daqueles que sabiam que o futebol é apenas entretenimento e o praticavam, porque adoravam brincar com a bola e reconheciam no esporte um espelho para a prática da honra e do civismo. E jogue neste 27 de junho de 2018, contra a Sérvia, um futebol que seja tributo merecido aos nossos vencedores.

Que venha o Hexa!



Quem já participou (3)

  • Hilário disse:

    Outro estilo de jogadas. É nítido o entrosamento quando se assiste um jogo desse.

    • pfjunior disse:

      A pergunta é para que tem servido o entrosamento, se você precisa de uma bola parada e um escanteio para matar o jogo, tendo dois dos mais caros jogadores do mundo no ataque do seu time? Concordo que seja outro estilo, mas falta verticalidade, objetividade. Sem isso, a gente para segunda, 2 de julho, no jogo contra o México.

    • pfjunior disse:

      Certíssimo, Hilário. Mas a pergunta é: para o que tem servido o entrosamento, se você precisa de uma bola parada e um escanteio para matar o jogo, tendo dois dos mais caros jogadores do mundo no ataque do seu time? Concordo que seja outro estilo, mas falta verticalidade, objetividade. Sem isso, a gente para segunda, 2 de julho, no jogo contra o México.

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