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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
10
julho 2018

Fogo destrói parte da Jundiaí dos ferroviários

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O fogo praticamente acabou com o pouco que restava da estrutura da Estação Central de Jundiahy da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, apelidada de Estaçãozinha, próxima ao Viaduto São João Batista, na Avenida Torres Neves. O prédio, construído no município em 1898, é parte da história e arquitetura da cidade, ligada à memória da Paulista e da Estrada de Ferro São Paulo Railway, depois Santos-Jundiaí e, portanto, integra a memória histórica e arquitetônica do País. E faz parte da minha história e da de muitos sessentões que viram e viveram o ciclo de ouro da Paulista.

O que sobrou da Estaçãozinha depois do fogo neste 9 de julho de 2018

Trata-se de um tempo vivo na memória daqueles que, como eu, são nascidos, criados e enraizados nesta terra de Petronilha. Faz lembrar o movimento tremendo que eu assistia, nas madrugadas e tardes de todos os dias, regido pelo apito pontual da Companhia Paulista, pela Avenida Henrique Andrés, ainda sem calçamento na sua parte central. Um exército imenso de ferroviários que descia a rua rumo às oficinas, onde hoje está o Complexo Fepasa.

Olhar para as fotos do rescaldo me fez viajar e voltar à alegria do tempo dos trens de passageiros, limpos, pontuais, entre São Paulo e o interiorzão paulista. Os trens que eu pegava para gazetear ou ‘bater o pé’ das aulas da primeira série do ginásio (que repeti, claro!), com o José Carlos Fonseca, um irmão postiço, meu primeiro amigo de infância e juventude, para disputar alguns ralis. Éramos menores de idade mas sempre dávamos um jeito, porque os guarda-trens moravam nas Casas da Paulista, na Vila Municipal.

A gente se conhecia e tinha amizade com os filhos deles. Então saíamos cedo da Estação Inglesa da Vila Arens e a primeira estação a se ver era ela, a Estaçãozinha…  Fez lembrar da Sorocabana que passava do outro lado e que, vez ou outra, a gente arriscava pegar também…Ou que íamos ver sempre descarregar os bois no Frigorífico Guapeva…

Pesquisei e vi que em janeiro deste ano foi feito um alerta, pelo jornalista, ambientalista e amigo José Arnaldo de Oliveira, sobre o fato do lugar ter sido ocupado irregularmente. Na publicação, feita no Jundiaqui, site local de notícias e entretenimento, ele lembrou que a recuperação do prédio sempre foi bandeira da Associação de Preservação da Memória da Companhia Paulista. O imóvel pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

O fogo, além de tudo, me pareceu irônico. Quis acontecer no feriado de 9 de Julho, que celebra a Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932, esmagada pela ditadura de Getúlio Vargas, em 2 de outubro do mesmo ano. A Estaçãozinha destruída assim como está, agora, é mais ou menos como a revolução de 1932: apesar de destruída, esmagada, é fonte de lembranças e apelos para que a gente sempre cultive e lute para preservar legados que dão sentido ao futuro, garantem aos tempos novos o afastamento das sombras da ignorância.



Quem já participou (2)

  • Hilário disse:

    Apesar de ser apenas um garoto então ter vivido em tal época, viajei no tempo com esse texto. De um acontecimento triste você conseguiu amenizar ao resgatar a memória a amizade. Bons amigos não saem da lembrança nunca. José Carlos sabe que você o dedurou publicamente? hahahaha
    Abraço!

    • pfjunior disse:

      Rapaz: ainda não falei com o Zé, que é um amante da ferrovia. O pai dele, seu Quinho (Manoel Fonseca) e a mãe (dona Inês), foram meus pais postiços. Vou dar um toque. Obrigado, Hilário.

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