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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
18
julho 2018

Mandela, herói libertário e pouco cultuado

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Nelson Mandela não faz mais aniversário. Se fizesse, teria chegado aos 100 anos. Não é que tenha deixado de celebrar a data por sua morte. Nascido em 18 de julho de 1918, em Mvezo, morreu em 5 de dezembro de 2013, em Joanesburgo. É que sua luta pela libertação da África do Sul, seu empenho para abolir o apartheid, o destemor com que enfrentou o regime ditatorial e racista de seu país, e o modelo que escolheu para defender o bem comum o tornaram universal e imortal.

Claro, fez inimigos na elite violenta que disseminaram notícias falsas a seu respeito. Ainda não eram chamadas fake news. Mas tentavam associar sua luta a uma simpatia inverídica ao brutal Idi Amim Dada, que amava os diamantes, era chamado “Terro de Uganda”, onde como ditador assassinou nada mais, nada menos que 300 mil pessoas. Mandela nunca teve nada a ver com esse carniceiro. O que o pretenderam um comunista comedor de criancinhas. Não. Ele era ferrenho e duro combatente contra o regime opressor.

Ao contrário, com a oposição pacífica inicial que fazia, irritava o regime implantado na Constituição elaborada pelo Partido Nacional, da África do Sul, em 1948, onde eram negados os direitos civis à população negra e também os direitos aos brancos que se levantassem contra o governo. Mudou de posição e atitude em 21 de março de 1960, quando a polícia do governo branco sul-africano matou 69 manifestantes, na chacina que ficou mundialmente conhecida como Massacre de Shaperville. Daí para frente, passou a defender e se envolver na luta armada contra o regime tirano.

Comandou a partir daí o braço armado do Congresso Nacional da África (CNA), partido de oposição, e passou a buscar ajuda internacional para financiar a luta. Em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas. Permaneceu preso de 1964 a 1990. Nestes 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti apartheid na África do Sul.

Da prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Neste período, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo. Com o aumento das pressões internacionais, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk solicitou, em 11 de fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela e a retirada da ilegalidade do CNA. Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.

Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou o país até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.

Com o fim do mandato de presidente, Mandela afastou-se da política dedicando-se a causas de várias organizações sociais em prol dos direitos humanos. Já recebeu diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais. Desde 2010, 18 de julho de cada ano é celebrado como o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembleia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.

 

(Com www.suapesquisa.com)



Quem já participou (2)

  • Hilário Pereira disse:

    A história é interessante justamente por trazer à público fatos registrados por diferentes pontos de vista. Concordo que Mandela tem sua importância histórica, mas desconfio desta imagem de promotor da paz. Já li algumas coisas sobre como interesses no minério africano fez com que se depositasse esse apoio a Mandela apenas para acordos políticos. Há relatos de que muitos genocídios a negros que não eram militantes, vieram de seu comando. Enfim, vale um papo para um café.

    • pfjunior disse:

      Acompanhei com interesse relativo, confesso, a trajetória de Mandela na minha juventude. A atenção aumentou, depois, já então como jornalista. Lembro que os veículos de comunicação davam mais espaço a Peter Botha que à sua oposição. A grande imprensa, naquele tempo, sempre ultraconservadora, chamava de terroristas os nicaraguenses e salvadorenhos que defendiam suas pátrias da tirania dos ditadores. Havia uma espécie de febre que mitificava opositores para liquidá-los – de freiras a braços militares e para-militares de partidos, como de fato o foi Nelson Mandela até ser preso. Como governante, confesso que acompanhei pouco sua trajetória. As únicas áreas que permanecem unanimemente silenciosas, na história e apesar dela, são os cemitérios. E de fato, Hilário, o assunto merece um café com prosa.

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