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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
06
agosto 2018

Ainda somos humanos?

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Um texto para reflexão, de mais uma das belíssimas crônicas da lavra do jornalista e escritor José Francisco Pacola, amigo de jornadas pela reportagem da Agência Estado, Estadão, Correio Popular e Diário do Povo de Campinas, publicada na coluna Janela da Alma do jornal “A Comarca”, de Mogi Mirim. Sobre os caminhos da Revolução Tecnológica. Ou descaminhos

“Quando a gente tem 16 anos ou um pouco mais, achamos – ou melhor, temos certeza – de que nossa geração é incompreendida e que todos os mais velhos são caretas, se é que esse termo ainda é utilizado.

O jornalista José Francisco Pacola – preocupado com a solidão produzida pelo avanço da tecnologia

Agora, um estudo da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, uma das mais importantes do mundo, identificou que quase metade (49%) dos jovens brasileiros da chamada geração Z, entre 16 e 20 anos de idade, consideram o smartphone o seu melhor amigo.

Segundo a Folha de S. Paulo, o estudo ainda mostrou que, dentre eles, 36% preferem o convívio com o aparelho a uma relação diária com a presença física de outras pessoas.

‘Papagaio do pescoço pelado!’, exclamaria o professor Frederico Haiden, mestre de Matemática na escola estadual Monsenhor Nora. Eu, naquela idade, queria mais era a presença física de amigos. No caso das meninas, com a maior proximidade possível para conseguir um beijo ou até uma paixão; com os rapazes, para jogar futebol e falar bobagens.

Tudo bem que um smartphone permite hoje o que era inimaginável décadas atrás: trocar mensagens, tirar fotos, fazer e assistir a filmes, jogar videogame, ver futebol e, pasmem, até fazer ligações telefônicas!

O problema é que a tecnologia que nos torna independentes também nos faz menos humanos, na medida em que nos deixamos infectar pelo vírus do tudo-muito-à-mão. 

Tornamo-nos prisioneiros manietados por essas algemas eletrônicas chamadas celulares, como um amigo definiu com precisão. Não observamos mais o que está à nossa volta, nem as pessoas, nem a paisagem, porque vivemos de cabeça baixa, enfeitiçados por telas minúsculas. Não nos afastamos do aparelho – nunca e por nada -, preocupados com uma mensagem de whatsapp que certamente virá. Torturamo-nos com a obrigação de responder a todas de imediato, como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Se, por acaso, o smartphone não dá sinal de novas mensagens, ficamos preocupados em vez de agradecidos. Corremos para verificar se a bateria não acabou ou se não desligamos o aparelho por engano. Já presenciei uma colega de trabalho convidando outra colega para almoçar pelo whatsapp, embora se sentem frente a frente. E não era segredo, era vício.

Sem perceber, estamos nos tornando meros digitadores de emoções, enviando emojis quando poderíamos – e deveríamos – estar trocando abraços.  No dia de nosso aniversário, poucos amigos telefonam. A maioria prefere mandar um’zap”’, como se estivessem do outro lado do mudo.  Os que enchem diariamente nosso aparelho de ‘Bom Dia!’ jamais nos convidam para um café…

Ando preocupado com essa geração Z, disposta a trocar gente de carne e osso, dotada de coração e sentimentos, por aparelhos de plástico e lithium, cujo valor está nos recursos tecnológicos e na sua capacidade de memória.

Nós, adultos, ainda não chegamos a esse ponto, mas também não temos sido bons exemplos.

Se o novo mundo é esse, acho melhor teclar a tecla ‘reiniciar’.” (Por José Francisco Pacola)



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