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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
30
agosto 2018

Ex-morador de rua lança pequeno jornal em Jundiaí

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Quando vi a história do jornalista Antônio Vicente Moz contada no Facebook, me emocionei e fiquei chocado porque o texto, curtinho, disse que “ele esteve nas Casa de Passagem, escreveu lindos poemas” e que “tinha o sonho de escrever para o público. Há alguns meses, ele seguiu destino, levando consigo este sonho!”.  Ah… Como assim? Pensei, lembrando de amigos meus moradores de rua que partiram e cuja vida está registrada no livro Freguês.

Antônio é formado em Jornalismo pela FMU

Minha curiosidade ficou acirrada. “Seguiu destino” sem realizar o sonho de escrever para o público? Quem foi ele? Onde trabalhou? O que o levou para a rua? Então liguei para o SOS, fiz uns caminhos de repórter e UFA! Ele “seguiu destino” da Casa de Passagem para a Comunidade Terapêutica Educacional Cristã (CTEC), no Caxambu, onde está bem e escrevendo para o público num pequeno jornal que criou. Graças a Deus!

Para o jornalista Antônio Vicente Moz, a palavra de ordem agora é prevenir!  Quer dizer, enxergar aquilo que está por vir e se proteger para impedir o mal. Conceitualmente, dispor com antecipação algo, de modo que se evite mal ou dano. Desde maio deste ano ele está abrigado na CTEC, depois de ter sido acolhido pela Casa de Passagem do SOS, na Rua Prudente de Moraes. O sonho de Antônio é simples: reconstruir a própria vida, estremecida por 30 anos de dependência química que ele não esconde. Para isso, criou como caminho a produção de um pequeno jornal denominado Prevenir.

“A minha prioridade é a reconstrução da minha vida por meio do meu trabalho”, garante convicto por telefone, informando ter escrito para a Folha de S. Paulo e e vivido da profissão morando na Espanha, França, Portugal e Filadélfia. A invisibilidade veio desde o início deste ano, quando foi morar nas ruas, empurrado pelo vício de 30 anos. Mas Antônio transformou a situação adversa, acolhido pela Casa de Passagem e criou um meio de subsistência. “Criei um jornal chamadp Prevenir porque traz artigos educativos sobre prevenção em diversas áreas”, explica o profissional, formado em 1985 pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), com MTB 76.501 (registro no Ministério do Trabalho) e também o sonho de ser escritor que está tentando realizar passo por passo. “Quero ajudar as pessoas com dependência química, como fui ajudado”, completa pensando em arrumar um lugar para tocar a vida.

“É difícil porque os anúncios do jornal pagam a impressão. A estadia na CTEC é provisória, temporária. Penso muito em arrumar um jeito de escrever e fazer do jornal um meio de me manter”, avalia ele que aos 63 anos faz um curso de capacitação em Marketing Digital. Isso mostra o quanto Antônio está firme e forte e continua trabalhando para atingir sua meta – a reconstrução da sua história, agora com um objetivo maior: usar a própria experiência e a habilidade de escrever como arma, para evitar o que mata e garantir que a vida é melhor quando se está na sobriedade. É nela que Antônio continua lapidando seu sonho. Felizmente. E graças ao trabalho de instituições como o SOS e sua Casa de Passagem e o CTEC.



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