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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
03
dezembro 2018

Mídia, depressão e suicídio

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Hoje, quero refletir sobre uma generalização que vi na rede social, no Facebook, sobre a responsabilidade da mídia na produção da depressão humana e a influência disso nos suicídios. Primeiro, reflito sobre a generalização. O pensamento humano é complexo e a linguagem limitada. Então, para expressar o que pensamos recorremos, inconscientemente, às generalizações, omissões ou distorções.  A complexidade do pensamento não cabe na linguagem, que depende de códigos, da escolha de palavras, da construção de encadeamentos lógicos. E a linguagem é lenta, específica, ao contrário do pensamento que é instantâneo e múltiplo.

Os vendedores de imagens de sucesso (fama, riqueza, beleza, saúde etc) são, na minha opinião e experiência, o marketing publicitário e o merchandising. Anúncios, vídeos, outdoors, busdoors, etc, apresentam  modelos de sucesso com apelos psicológicos subliminares ou de forma sensacionalista, sem reconhecer o caráter humano do envolvido nem o contexto, sem respeito à privacidade e usam, também, os acontecimentos sórdidos e mórbidos, dos quais ninguém está livre, para vender e arrecadar, lucrar.

Todavia, existe outro tipo de mídia, a jornalística e informativa. Embora também dividida entre a mídia marrom (patrocinada e defensora de interesses de grupos econômicos, políticos, religiosos etc) e os verdadeiros agentes autênticos da comunicação – do tornar comum à maioria um fato que envolve personalidades de qualquer área, respeitando os limites da vida pessoal e da vida pública -, desde humildes redatores aos diretores de redações, passando por repórteres e editores, artistas gráficos etc – que defendem a busca da verdade para que se estabeleça a justiça no mundo.

Esses sabem deste mal que assola o mundo, que começa na depressão e termina no suicídio, como forma de suprimir uma dor que não se entende. Só no Brasil, em média, 11 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. E a maioria delas é de jovens. No mundo, são 800 mil e nenhuma  mídia ou conjunto de mídias, nem que quisesse ou planejasse, seria capaz de produzir essa terrível epidemia silenciosa.

Na verdade, entendo que a depressão possa surgir sempre a partir de um conjunto de coisas iniciadas em um acontecimento primário. A maneira como o ser humano o processa, a partir de suas vivências e experiências, a linguagem pela qual ele chega ao íntimo dessa pessoa, como é decifrado ou como é traduzido e o alinhamento dos níveis neurológicos de ambiente, comportamento, capacidades, crenças e valores, identidade, afiliações e espiritualidade pode determinar a reação.

Às vezes, uma pessoa muito religiosa pode ser depressiva porque nos ambientes onde vive tem comportamentos incongruentes aos que deseja  ter no mais profundo da sua espiritualidade. Claro, esse acontecimento primário e a interpretação dele, a carga que ele produz, sempre será a chave de tudo. Mas a análise que faço aqui é superficial, a partir das minhas experiências da vida, próxima de pessoas que interromperam sua existência e, também, dos fundamentos de Sociologia, Antropologia, Psicologia e de Neurociências que estudei.

 

(Imagem: Pixabay)



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