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TVTEC Blog com Pedro Fávaro Jr.
24
dezembro 2018

Feliz Natal, Jundiaí. E que acorde o Ano Novo!

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Ah, meu querido Carlos Drummond de Andrade: estou aqui nesse tempo de Natal remoendo sobre o que posso e devo fazer para ganhar um ano de verdade novo, “cor do arco-íris ou da cor da sua paz”, igual ao que você diz no seu poema que circula e é visto por milhares nas redes sociais, sempre nessa época.

Eu não sei bem nem o que fazer para ter tais cores, nem como. Claro, tentarei chegar a elas passando pelo trivial, pelo de sempre: as revisões ortodoxas, as listas do que faltou fazer, as culpas pendentes, talvez ainda também a náusea transbordante de alguns acontecimentos mal digeridos. Mas não dá para dizer que foi um ano a toa, perdido.

Verdade que continuo como sempre trabalhando muito, no que gosto de fazer e que, como nunca sonhei em juntar coisas, não me organizei para isso. Assim, o pouco que me basta às vezes parece-me descuido, desatenção, relaxo com a possibilidade de deixar algum legado material para os meus.

De outra parte, acho mais difícil ainda deixar legados ou testamentos espirituais. Além de cada um ter sua espiritualidade – coisa muito diferente da religiosidade –, lembro sempre do ditado popular que garante: “morto não tem vontade”.

Fico pensando, Drummond, que para chegar “a cor” da paz desejada, preciso enxergar, na simplicidade do Natal, uma oportunidade de buscar a semente desse novo tão desejado. Isso, lançado o olhar para aquela pequena e pobre família, cuja criança é o menino-deus, o Emanuel, aquele que ao fazer dela uma família sagrada torna sagradas todas as famílias. Família completada na Casa do Pão – Belém – mesmo sem que ali houvesse lugar para ela, para que nunca falte pão nem lugar para todas as famílias…

Olho para o Natal do alto desse hoje que me agracia agora e tremo: quantas famílias sem lugar entre nós. Refugiadas, afastadas para os grotões da periferia humana, embaixo de pontes e lajes, ao relento. E sem nada. Nem um trapo, nem um naco de pão… E eu aqui, querendo um ano novo da cor do arco-íris…

A essa altura, só vejo um meio de chegar a um tempo com as cores do arco-íris e da paz: é preciso construir o Ano Novo com as pedras das novas atitudes. Que seja assim, então, Drummond. Obrigado por me lembrar disso no seu poema e mais, por lembrar também que o Ano Novo “cochila e espera desde sempre” dentro de mim. É só acordá-lo!

(Imagem: Pixabay)



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