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Pesquisadoras desenvolvem colírio que evita e trata a perda de visão em diabéticos

Publicada em 10/06/2019 às 12:28

A expectativa é que a descoberta sirva não apenas para a cura dessa doença, mas para outras anomalias graves da visão, como o glaucoma.

Uma dupla de pesquisadoras brasileiras desenvolveram um colírio que previne e combate a perda da visão entre os diabéticos, a chamada retinopatia diabética. “A grande vantagem desse achado é o fato de não ser invasivo. Por ser tópico não implica em riscos e cria uma barreira contra as alterações neurodegenerativas que afeta os diabéticos”, explicou a pesquisadora Jacqueline Mendonça Lopes de Faria.

Vinculadas às faculdades de Ciências Médicas (FCM) e de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as cientistas disseram que a descoberta foi feita a partir de uma pesquisa que já dura cerca de duas décadas. “É consequência de um estudo de 20 anos para entender o mecanismo de ataque das células nervosas e de irrigação sanguínea no tecido ocular.” Segundo Jacqueline, devido à hiperglicemia – excesso de açúcar no sangue no organismo dos diabéticos – vários órgãos podem ser comprometidos.

Em aproximadamente 40% dos casos, a diabetes leva a complicações na retina provocadas pelo efeito nocivo da glicose. Quando isso ocorre, o sistema nervoso e vascular são drasticamente alterados na região dos olhos, provocando cegueira. “Isso ocorre, muitas vezes, justamente no momento em que a pessoa está em idade ativa.” Atualmente, procedimentos como a fotocoagulação com laser e a injeção intravítrea são consideradas opções menos invasivas para o tratamento da retinopatia diabética.

As pesquisadoras da Unicamp manifestam a expectativa de que a descoberta sirva não apenas para a cura dessa doença, mas para outras anomalias graves da visão, como o glaucoma.

Eficácia comprovada

Diversos testes realizados nos laboratórios da Unicamp comprovaram a eficácia da fórmula. Entretanto, o colírio ainda precisa ser submetido à fase clínica de testes, incluindo ensaios em seres humanos, antes de ser transformado em medicamento e vendido comercialmente.

Como os testes e ensaios dependem do interesse de empresas em fazer o licenciamento da tecnologia em parceria com a agência de inovação da universidade, ainda não há previsão de quando o medicamento será liberado e comercializado ao amplo público. Em testes iniciais com roedores, não foram observados quaisquer efeitos colaterais ou adversos – e o colírio mostrou-se absolutamente eficaz na proteção do sistema nervoso da retina.

A pesquisa foi realizada pela professora Maria Helena Andrade Santana, a pesquisadora Mariana Aparecida Brunini Rosales e a aluna de mestrado Aline Borelli Alonso – financiada com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério de Educação.

(Fonte/Imagem: Razões Para Acreditar)


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