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Uso da ‘gaiola’ muda a vida dos pacientes do Hospital São Vicente de Paulo

Publicada em 13/05/2021 às 15:48

O médico ortopedista e especialista em reconstrução e alongamento ósseo, Dr. Ricardo Fruschein Annichino, é mais um exemplo de profissional que resgata, por meio de sua profissão, a qualidade de vida de diversos pacientes em acompanhamento no Ambulatório de Fixador Externo do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), única instituição da região a oferecer o serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Conhecido popularmente como “gaiola”, o método Ilizarov permite realizar a reconstrução e o alongamento ósseo por meio do fixador circular. “É natural que as pessoas pensem que esse tipo de recurso só é utilizado em casos de acidentes, mas o impacto desse tratamento vai muito além disso. O fixador foi criado para tratar deformidades e sequelas, como por exemplo, uma infecção na perna ou uma infecção óssea, além da pseudoartrose, quando uma fratura não apresenta a consolidação óssea. Também conseguimos alongar um membro que seja menor que o outro”.

Conhecido popularmente como “gaiola”, o método Ilizarov permite realizar a reconstrução e o alongamento ósseo por meio do fixador circular

Menos invasivo que outras técnicas, o Ilizarov substitui procedimentos envolvendo fixação com hastes ou placas, possibilitando que a imobilização seja feita por fora do membro e não por dentro, evitando assim complicações e mantendo a estabilidade da fratura até a consolidação da mesma. Atualmente, o ambulatório atende por mês uma média de 80 pacientes e dependendo da gravidade do caso, o tratamento pode perdurar por anos.

“A pessoa pode permanecer com o fixador por seis meses, um, dois ou três anos. Por isso, sempre falo que a resposta é o tempo que for necessário. É uma situação diferente, atendemos pacientes de todas as idades com os mais diversos problemas e conseguimos reestabelecer os movimentos, dar uma nova oportunidade a essa pessoa. Em muitos municípios, os mais afastados e com poucos recursos, muitas vezes a única opção é a amputação”, relata o médico.

Humanização

Considerada uma das principais diretrizes no atendimento prestado pelo HSV, a humanização é peça chave na recuperação desses pacientes. Aos 15 anos, Dr. Ricardo sofreu um atropelamento e também precisou utilizar o fixador. O tratamento mudou a vida do médico, que seguiu na área para garantir que todos tivessem a mesma chance. “Infelizmente tive complicações no tratamento, fiquei na cadeira de rodas durante um ano e usei o fixador, então eu sei o impacto que isso tem na vida das pessoas”, compartilha.

O Wendrew Gustavo Gimenes, de 25 anos, sofreu um acidente de moto e utiliza o recurso há um ano e meio. Após passar por diversos procedimentos, entre eles a técnica do enxerto ósseo, o paciente explica que tanto o acidente, como o acompanhamento que realiza no ambulatório, mudaram sua forma de enxergar o mundo. “Mesmo sendo em um momento de dificuldade, isso abriu meus olhos e me trouxe benefícios. Mudou de forma positiva as minhas relações familiares e com os meus amigos. Aqui no ambulatório também fiz amizades com os médicos, com a equipe de enfermagem e todos sempre me deram muita força. Fica registrada minha gratidão”.

“Eu me sinto responsável por cada um deles, desde o dia em que colocam a “gaiola” até a remoção da mesma. Existe um vínculo entre nós, por isso sei onde eles trabalham, a rotina e detalhes da vida pessoal. Me emociono com vários casos, com a dedicação da equipe e com o esforço do paciente. O dia em que eles retiram o fixador, ficam emocionados, choram, nos enchem de abraços, tiram foto, isso é bem legal. É humanização na prática. Eu me sinto honrado, estou aqui pelo puro prazer de exercer a minha profissão”, conclui.

(Texto/Imagens: Assessoria de Imprensa)


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