Sincomercio Jundiaí e Região traça perspectiva sobre o varejo em 2026

A perspectiva para o varejo em 2026 é de um ano desafiador, marcado por desaceleração da atividade econômica, juros ainda elevados e margens pressionadas. Na análise do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), o ambiente macroeconômico tende a limitar o consumo, sobretudo de bens de maior valor, à medida que o crédito permanecerá caro e as famílias seguirão cautelosas com o orçamento, priorizando despesas essenciais e postergando compras não urgentes.
Nesse contexto, alguns segmentos do varejo devem apresentar maior resiliência. “O destaque permanece com supermercados e atacarejos, sustentados pela demanda recorrente por alimentos e itens básicos, ainda que com crescimento moderado e foco maior em volumes e marcas mais acessíveis. Farmácias também tendem a manter desempenho relativamente estável, apoiadas pelo envelhecimento da população e pelo caráter essencial de seus produtos”, pontua Jaime Vasconcellos, economista do Sincomercio.
Análise dos segmentos
De acordo com levantamento feito pelo Sincomercio, outro segmento que pode atravessar 2026 com menos perdas é o de serviços agregados ao varejo, como manutenção, consertos e pequenos reparos, que se beneficiam da substituição do consumo de bens novos pela extensão da vida útil dos produtos.
Em contrapartida, os segmentos mais dependentes de crédito e renda disponível devem enfrentar maiores dificuldades. O varejo de bens duráveis, como o de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, além de itens do ramo de construção, deve seguir pressionado pelo custo do financiamento e pelo alto nível de endividamento das famílias.
O setor de vestuário e calçados, especialmente no médio e alto padrão, também tende a sofrer com menor fluxo nas lojas e maior sensibilidade a preço, exigindo promoções mais agressivas e impactando a rentabilidade final. Lojas de artigos para o lar e bens discricionários, de forma geral, devem operar em um cenário de volumes contidos e margens estreitas.
Preparação operacional como diferencial
Diante desse quadro, o Sincomercio Jundiaí aponta que a preparação operacional será determinante para a sobrevivência e competitividade do varejista em 2026. Dessa forma, Edison Maltoni, presidente do Sincomercio, destaca que a gestão de estoques ganha papel central: reduzir excessos, acelerar o giro e alinhar compras à demanda real torna-se fundamental para evitar capital imobilizado e perdas financeiras.
“Negociar prazos mais longos e condições mais flexíveis junto a fornecedores é outra estratégia-chave, ajudando a equilibrar o fluxo de caixa e diluir o impacto dos juros elevados”, pontua Maltoni.
Ele ressalta ainda que a preservação do caixa e da liquidez deve orientar todas as decisões, com controle rigoroso de custos, cautela em investimentos e atenção redobrada à rentabilidade por produto e canal.
“O cuidado na tomada de crédito é outro fator, já que a Selic alta continuará elevando outras taxas de juros, principalmente no primeiro semestre. Em resumo, será um ano de crescimento baixo e maior seletividade do consumo. O estabelecimento que atravessar 2026 de forma mais sólida será aquele capaz de combinar eficiência operacional, disciplina financeira e leitura precisa do comportamento do consumidor, transformando prudência em vantagem competitiva”, orienta Maltoni.
Fonte e Imagens: Sincomercio Jundiaí e Região


