Lesão por Esforço Repetitivo: o alerta silencioso que pode comprometer a qualidade de vida
As chamadas Lesões por Esforço Repetitivo (LER) englobam um amplo conjunto de condições que afetam músculos, tendões, nervos, articulações e vão muito além de simples desconfortos passageiros. O termo abrange desde dores relacionadas ao ambiente de trabalho até casos mais graves, que podem resultar em perda de força, limitação de movimentos e até necessidade de cirurgia. De acordo com o médico Dr. Rodrigo Beraldo, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo e ortopedista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), as causas variam conforme o tipo de atividade exercida.
“Nos escritórios, os maiores vilões são a má postura e a falta de ergonomia. A posição do monitor, a altura da cadeira, o apoio dos punhos e a inclinação da coluna fazem toda a diferença. Mesmo sabendo como se sentar corretamente, é difícil manter a postura ideal o dia todo. Depois de algumas horas, é natural começar a se inclinar ou relaxar demais o corpo. Nesse caso a recomendação é fazer pausas curtas ao longo do expediente: levantar-se, alongar, tomar um café ou caminhar um pouco. Esses intervalos simples ajudam a prevenir dores musculares e inflamações”, explica o especialista.
Já os trabalhadores braçais enfrentam outro tipo de desafio: peso e esforço físico excessivo. Pedreiros, pintores, operários e profissionais da construção civil, por exemplo, lidam com sobrecarga em articulações como coluna lombar, joelhos e quadris. “É fundamental observar como o peso é carregado, se o trabalhador está se agachando corretamente e se a carga é compatível com sua força física”, alerta o médico.
Sinais de Alerta
As LERs geralmente se manifestam de forma silenciosa. A dor começa leve, de maneira insidiosa, e vai se intensificando com o tempo. “No início, é uma dor chata, esporádica. Depois passa a incomodar todos os dias, atrapalha o sono e, em casos mais graves, pode causar perda de força e limitação de movimento”, relata o especialista.
O diagnóstico costuma ser clínico, baseado na conversa com o paciente e no exame físico. Os exames de imagem servem apenas para complementar a suspeita, identificar o grau de inflamação ou descartar outros tipos de lesões.
Tratamento e Prevenção
O tratamento envolve diferentes etapas. O primeiro passo é identificar e corrigir a causa da dor, o que pode significar ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho como, por exemplo, mudar a altura da mesa, o posicionamento do computador ou a forma de levantar peso.
Em seguida, o médico avalia a intensidade da dor. Em casos leves, fisioterapia e exercícios de alongamento costumam ser suficientes. Em quadros mais avançados, pode ser necessário o uso de medicamentos e, raramente, cirurgia. “O mais importante é atuar na origem do problema, e não apenas tratar os sintomas”, reforça o ortopedista.
Os equipamentos ergonômicos, como apoios para punho, cadeiras adequadas e teclados ajustáveis, são aliados na prevenção. Embora possam causar certo desconforto no início, fazem diferença a longo prazo.
O papel da prevenção
Prevenir é sempre o melhor caminho. Detectar os sinais precoces e buscar orientação médica ao primeiro sintoma evita que a dor evolua para quadros crônicos ou irreversíveis. “Há casos em que, mesmo com cirurgia, a recuperação completa não é possível, pois o músculo já sofreu degeneração irreversível. Por isso, é essencial falar sobre prevenção e tratamento precoce”, conclui o ortopedista.
Fonte e Imagens: Assessoria de Comunicação – Hospital de Caridade São Vicente de Paulo


