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Especial Mulheres: O céu não é o limite

Publicada em 08/03/2026 às 07:41

Minha paixão não foi inspirada nem motivada por alguém, ela simplesmente surgiu…

Lugarde mulher é onde ela quiser, inclusive no comando das nuvens. Nunca uma frase ganhou tanto significado e sentido quando se conhece a história da Tenente Coronel Aviadora Carla Borges, jundiaiense, nascida em março de 1983 e criada no bairro do Jardim Morumbi, primeira mulher a pilotar a aeronave da Presidência da República e um avião caça.

A TVTEC Jundiaí conversou com a militar via internet, já que hoje reside em Brasília. Uma conversa descontraída onde ela foi contando a sua história de vida, a sua formação na carreira militar, os desafios e as conquistas. Boa leitura!

“Pertenço a uma família na qual não existia nenhum militar nem mesmo piloto. Minha paixão não foi inspirada nem motivada por alguém, ela simplesmente surgiu. Uma fixação por uma máquina capaz de alçar-se aos céus e cruzar o horizonte. Mas não era apenas por aviões, era mais específico. Meu interesse sempre foi nas aeronaves de caça. E isso me levou a buscar a carreira militar.

Prestei o concurso para a primeira turma de mulheres pilotos militares da Força Aérea Brasileira. Foram quatro anos de formação militar e operacional na Academia da Força Aérea em Pirassununga, São Paulo. Lá, aprendi a ser militar, a amar meu país e estar disposta a defendê-lo no comando de uma aeronave.

Uma das lembranças mais marcantes que tenho desse período foi meu primeiro voo sozinha. Saber que já era capaz de conduzir uma aeronave, fazê-la sair do chão e voar, como muitas vezes fiquei admirando outros pilotos fazerem, fez meus olhos transbordarem de tantos sentimentos misturados. A realização de um sonho, a recompensa de uma vida de abnegação, dedicação, comprometimento. Era a criança dentro de mim que sorria.

Novas rotas

Após a formação inicial, tive a oportunidade de continuar a caminhada em busca do meu sonho maior e fui realizar a formação na aviação de caça. Passei a formação inicial em Natal/RN e depois segui para Boa Vista/RR para me aperfeiçoar e me tornar líder de uma esquadrilha de caça. Lá, cumpri diversas missões, como o policiamento do espaço aéreo, vigiando aeronaves que voavam sem autorização em nossa fronteira. Ao todo foram três anos de formação na aviação de caça.

Em 2011, segui para o Rio de Janeiro onde voei com uma aeronave de caça de alta performance, especializada em missões de ataque. Quatro anos depois, me mudei para Brasília onde ingressei no quadro de tripulantes da aeronave presidencial. Tive oportunidade de realizar uma nova missão, um voo diferente do que estava acostumada e, mesmo sendo a única mulher, sempre senti muito respeito tanto por parte dos demais tripulantes quanto das autoridades que conduzi em voo.

Desafios

Conciliar a vida profissional com a pessoal é sempre um desafio. Por vezes, as missões me afastam e a distância da família aperta muito o meu coração. A saudade é amenizada por fotos e ligações, mas nunca passa por completo. Acredito, porém, que o cumprimento do meu dever será um motivo de orgulho para minha filha no futuro.

Ser mulher é enfrentar desafios diários. É ter a necessidade de conciliar carreira, estudos e responsabilidades familiares. É buscar o equilíbrio entre firmeza profissional e sensibilidade feminina sem causar uma impressão errada sobre nossa capacidade.

Muitas mulheres enfrentam a necessidade constante de provar sua competência em ambientes profissionais, especialmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens.

Fazer parte da primeira turma de mulheres pilotos militares da Força Aérea Brasileira significou abrir portas e transpor barreiras inéditas. Não se tratou apenas de cumprir os mesmos requisitos técnicos e físicos que os homens, mas de provar constantemente que éramos capazes de estar ali.

Houve olhares de desconfiança, expectativas mais rigorosas e, muitas vezes, a sensação de que qualquer erro individual poderia ser interpretado como uma limitação coletiva das mulheres. Mas a dedicação, o empenho e a abnegação das primeiras mulheres foram primordiais para demonstrar a todos que somos tão capazes como qualquer outro piloto.

A capacidade de resiliência e adaptação diante das dificuldades é o que mais me orgulha em ser mulher. Ao longo da história, mulheres conquistaram direitos, espaços e reconhecimento mesmo enfrentando barreiras significativas e preconceitos.

Vivenciei uma força coletiva entre as mulheres que fizeram parte da primeira turma. A solidariedade e a capacidade de se apoiarem foi fundamental para nosso sucesso em um ambiente ainda dominado por homens. Foram essas qualidades que nos fizeram vencer cada etapa e conquistar nosso espaço”.

Redação TVTEC


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