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Páscoa: uma perspectiva protestante

Publicada em 30/03/2026 às 14:40

Para o protestantismo, a Páscoa configura-se como a celebração da gloriosa ressurreição de Jesus Cristo depois de seu sacrifício na cruz em favor daqueles que creem.

Tendo em vista o fato de que o protestantismo é – ou deveria ser – biblicamente orientado, compartilho com o leitor uma breve reflexão acerca de um trecho da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3-4).

A linguagem de Paulo é linguagem da expiação. Ao afirmar que “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Coríntios 15.3), Paulo pressupõe inimizade entre Deus e os seres humanos por causa da rebelião e pecaminosidade humanas, para as quais o castigo é a morte. No entanto, o Filho de Deus assumiu para si mesmo a condição da criatura em estado de revolta, isto é, Jesus faz sua a desgraça da sua criatura. Jesus tomou sobre si a maldição da humanidade a fim de a redimir.

Essa morte, afirmou Paulo, ocorreu “segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3). Deus havia estipulado que a morte de um cordeiro sem defeito fosse parte do processo de resgate de Israel da escravidão do Egito, fato que, por sua vez, se tornou parte do sistema sacrificial em que animais carregavam os pecados do povo no “Dia da Expiação”. É nesse sentido que Paulo afirma que Cristo morreu “segundo as Escrituras”.

Paulo prossegue afirmando que Jesus “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.4). Paulo fez questão de registrar que Jesus Cristo foi sepultado. Acontece que aquele que foi sepultado, “ressuscitou ao terceiro dia”. No domingo posterior à sexta-feira de sua execução, Jesus Cristo ressuscitou, ou seja, sua ressurreição aconteceu “ao terceiro dia”. Esse “terceiro dia” se refere ao dia depois de amanhã e não a três dias depois da morte voluntária e substitutiva de Cristo na cruz. A ressurreição é explosão de vida após a morte. A ressurreição é explosão de alegria após a tristeza. Como bem afirmou o teólogo Tomás Halík: “A ressurreição existe apenas onde também existem túmulos”. A ressurreição de Jesus indica que Deus reverte a maldição decorrente do pecado em esperança, isto é, Deus, e somente Deus, pode transformar o mal em bem.

Jesus, em sua morte e sepultamento, se assemelhou aos homens para que eles se assemelhem a Ele no que diz respeito à ressurreição. O reformador João Calvino fez oportuno comentário sobre esse tema: “Jesus participou da morte juntamente conosco para que pudéssemos ressuscitar juntamente com Ele”.

Quanto às celebrações no período, os protestantes costumam realizar na sexta-feira o chamado “Culto das Sete palavras da Cruz” e o “Culto da Ressurreição” logo nas primeiras horas da manhã do domingo.

Conheça o autor: Pastor Thales Renan Augusto Martins

Nascido em Jundiaí, é pastor titular da Igreja Presbiteriana de Jundiaí. É Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Doutorando em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.


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