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Dia do Escritor: a beleza de transformar o mundo em palavras

Publicada em 25/07/2026 às 10:09

25 de julho, é Dia Nacional do Escritor, e talvez não haja celebração mais justa do que essa: a de agradecer a quem nunca deixou as palavras dormirem sozinha

A data nasceu em 1960, quando a União Brasileira de Escritores promoveu, no Rio de Janeiro, o primeiro Festival do Escritor Brasileiro, reunindo em torno de si nomes como Jorge Amado, um dos maiores expoentes da literatura nacional. Desde então, todo 25 de julho carrega esse recado silencioso: por trás de cada livro, de cada crônica, de cada verso solto num caderno, existe alguém que escolheu confiar às palavras aquilo que não cabia mais dentro do peito.

Mas se hoje é o dia do escritor, talvez seja bom lembrar também que escrever nunca foi um território fechado. Existem escritores — sim, com ofício, com trajetória, com livros publicados e leitores fiéis —, mas a escrita, essa sim, é de todos. Ela não pede licença, não exige diploma, não escolhe quem pode entrar. Está sempre aberta, dia e noite, esperando por quem quiser experimentar a sensação única de ver um pensamento solto se transformar, enfim, em algo com começo, meio e forma. Porque há pensamentos que só encontram sentido quando escritos, antes giram soltos na cabeça, confusos, incompletos, até que a caneta, ou o teclado, os obriga a escolher um caminho.

Escrever, muitas vezes, é a primeira oportunidade em que realmente entendemos o que sentimos. E é por isso que a escrita é convite antes de ser profissão. Quanto mais gente descobre esse convite, mais bonito o mundo fica, porque cada nova pessoa que se apaixona por escrever é também uma pessoa que aprende a olhar com mais atenção, a sentir com mais nome, a guardar a vida com mais cuidado.

A gente cresce ouvindo histórias antes mesmo de saber ler. Histórias que explicam o mundo, que ensinam medo e coragem, que mostram como se ama e como se perde. Aprendemos a ser gente contando e ouvindo histórias, e continuamos melhorando, ano após ano, porque cada história nova é uma chance de enxergar a vida por um ângulo que ainda não tínhamos experimentado.

Não é exagero dizer que, sem histórias, não haveria memória, e sem memória, não haveria quem somos.

E há histórias nascendo bem perto daqui. Jundiaí tem, todos os anos, escritores e escritoras que insistem em contar a cidade, e o mundo, através de suas páginas. A Festa Literária de Jundiaí, o Prêmio Jundiaí de Literatura e as rodas de leitura da Biblioteca Municipal Professor Nelson Foot mostram que a cidade não é terreno fértil apenas para vinhedos e serras, mas para palavras também.

Nomes como o do poeta Mauro Vaz de Lima, provam que dá para nascer aqui, escrever daqui, e tocar leitores em qualquer canto do país. Cada escritor jundiaiense é prova viva de que a literatura não precisa de grandes centros para florescer, ela precisa apenas de gente disposta a escutar o próprio mundo e traduzi-lo em palavra. E se ampliarmos o olhar, veremos essa mesma força se repetir em cada canto do planeta.

A literatura brasileira, com sua mistura de sotaques, dores e alegrias, dialoga com a literatura de todos os lugares, porque, no fundo, todo escritor, esteja onde estiver, tenta responder à mesma pergunta: o que significa estar vivo?

Ler um autor espanhol, um poeta português, uma romancista jundiaiense ou um cronista da esquina de casa é, sempre, uma forma de se reconhecer em outra pessoa.

Então, hoje, o convite é simples: celebre um escritor. Pode ser aquele nome que está na estante, pode ser o colega que escreve escondido num caderno, pode ser você mesmo, que talvez nunca tenha se permitido a coragem de começar.

Porque, no fim das contas, o Dia do Escritor não homenageia só quem já publicou, mas homenageia também a escrita como possibilidade.
E enquanto houver gente disposta a transformar sentimento em frase, o mundo continuará tendo onde se guardar.

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