Dia dos Avós: três gerações unidas pelo prazer de cozinhar
Neste domingo, 26 de julho, é comemorado o Dia dos Avós. Acompanhe a história da avó Vera, que influenciou a filha Daniela e a neta Zabelli, e juntas dividem o prazer de preparar receitas marcadas pelo afeto

Os avós são aqueles que acolhem na falta do colo da mãe, são aqueles que aconselham na falta da presença de um pai. A casa da avó sempre tem lugar para mais um neto, a comida da avó sempre é a mais gostosa, aquela que aquece o coração e fica marcada na memória.
Neste Dia dos Avós, a TVTEC Jundiaí, traz a história de Vera Lúcia Possidonio Ribeiro, Daniela Possidonio Ribeiro e Zabelli Christie Francisco, avó, filha e neta, família que mantém uma tradição na culinária, originada pela bisavó, alguns anos atrás.
Segundo a matriarca da família, desde criança, sempre gostou muito de cozinhar, acompanhava a avó e a mãe: “Tudo que a minha avó fazia, os quitutes maravilhosos, que eu sempre admirei. Ela na cozinha, transformava leite em doce, farinha em bolo, amendoim em doce, e eu, ainda tão criança, já gostava”, comentou dona Vera.
“Eu achava tudo aquilo fascinante”, continuou, “queria sempre saber como ela fazia. Sempre estava por perto, às vezes ela ainda falava: ‘é perigoso’ ou ‘sai de perto do fogão!’, mas eu gostava de estar sempre observando tudo o que ela fazia. Então, eu fui crescendo e minha mãe começou a me ensinar tudo o que ela aprendeu com a mãe dela, e eu comecei a tomar gosto pela arte da culinária.
Eu fui aprendendo a fazer bolo, devagarzinho com a supervisão da minha mãe, e com 18 anos eu já cozinhava doces e biscoitos, e minha mãe sempre perto, me orientando. Fazia e vendia pra vizinhos e amigos, desde então não parei”, relembrou a avó.
A culinária é pra quem realmente gosta e é um caminho sem volta
O tempo foi passando e o interesse da filha e neta de dona Vera sobre sua atividade foi ficando mais evidente. Ela relatou que a filha também, desde criança, mostrou muito interesse pela cozinha: “Ela gostava de enrolar docinho, salgadinho, e tudo que eu fazia, ela queria participar e, assim, foi pegando gosto. Já com uma certa idade, ela fez um curso de confeitaria, se tornou professora e também levava pra sala de aula tudo o que aprendeu comigo e com a avó, se tornou uma grande profissional.”
Já a neta, Zabelli, vendo a bisavó, avó e a mãe, também acabou seguindo esse mesmo caminho: “Ela fez vários cursos e está nessa área por causa da paixão pela culinária, mas ela nunca perde a raiz, sempre resgata tudo o que aprendeu com a família. É uma paixão da alma.”, disse Vera.
Com o passar dos anos, a abertura de uma empresa foi se tornando realidade. Dona Vera lembrou: “Foi com muita luta que construí o meu próprio negócio, fazia um docinho, um bolo, um salgadinho, alguma coisa, e a minha filha vendia para as amigas ou no serviço dela. A minha neta ainda era muito pequena, mas já gostava de pegar a cestinha, colocar doces, como pão de mel e trufa, e vender para os vizinhos ou na escola, para as amiguinhas. Isso foi crescendo, crescendo e crescendo até que eu comecei a vender profissionalmente”.
Período difícil para a nova empresa foi durante a pandemia de Covid-19 muitos negócios sofreram fortes impactos econômicos, alguns falindo ou muito próximos da falência: “Muitos dos meus clientes também fecharam as portas e eu não consegui continuar, tive que encerrar as atividades. Hoje, eu faço só para a família mesmo, estou presente nos almoços, nos jantares, e sempre alguém pede alguma coisa para eu cozinhar. É assim, quando a família se reúne, eu, minha filha e minha neta sempre estamos na cozinha, juntas, cozinhando os pratos que fazem lembrar da minha mãe”, explicou a avó.
A filha Daniela
Da sua visão como filha e mãe, que está entre as duas gerações da família, ela acredita que esse trabalho abraçado por Dona Vera, de certa forma, se tornou uma tradição familiar: “Minha mãe sempre fez muito mais do que cozinhar. Ela reuniu pessoas, criou memórias e demonstrou que cada receita é muito mais do que a mistura de ingredientes. Cresci vendo ela cozinhar para a família, para os amigos e, mais tarde, compartilhar seu talento vendendo muitas de suas receitas. Sempre admirei o cuidado, o carinho e a alegria que ela sentia em servir quem amava”, comentou.
“Hoje, como mãe”, continuou Daniela, “percebo o quanto esses gestos marcaram nossa história e acabaram se tornando uma tradição familiar. Ela nos ensinou que cozinhar é um ato de amor, carinho e união, carregamos esse legado até os dias de hoje. Com a minha mãe aprendi que os melhores ingredientes sempre serão o amor e a união entre as gerações. Cada receita carrega uma história: muitas delas foram aprendidas com minha bisavó, Dona Amélia, depois passaram para minha avó Maria, chegaram até minha mãe Vera, então, foram transmitidas para mim, Daniela, e hoje, essa história continua sendo escrita com a Zabelli, uma de minhas filhas. É esse legado que procuro transmitir, para que ela compreenda que o maior patrimônio que podemos deixar não são apenas receitas, mas nossas raízes, nossa história e o amor que une a nossa família”, finalizou Daniela.



A neta Zabelli
Seguir na área da gastronomia foi algo muito certo para a neta Zabelli: “Eu cresci vendo a paixão que a minha vó e a minha mãe sempre tiveram pela cozinha. Aprendi muito com as duas na beira do fogão vendo elas cozinharem e entendi desde cedo que a culinária é muito mais do que apenas preparar uma refeição, é uma forma de transmitir amor, cuidado e criar laços. Essa memória afetiva tão forte me inspirou a buscar a Gastronomia e transformar todo esse aprendizado e afeto de família na minha profissão. Hoje, planejo construir minha carreira unindo a bagagem técnica que adquiri na formação em Gastronomia com a essência que herdei em casa, quero crescer no mercado trazendo preparos que não apenas alimentem, mas que marquem momentos especiais, e levem conforto e emoção a quem provar”, relatou.
Questionada se as receitas de sua avó e sua mãe estarão no seu cardápio, Zabelli respondeu: “Com certeza! As receitas da minha avó são a raiz de tudo o que eu amo na cozinha. Minha boca enche de água em pensar no frango com polenta que ela faz, o biscoito mineiro, a vaca atolada e até o arroz puro soltinho. Essas comidas têm um valor sentimental imenso, são a essência do tempero e da história dela.
Ela também comentou que a comida tem o poder de nos transportar para momentos de acolhimento: “O meu desejo é trabalhar com a cozinha de memória afetiva, para que além de nutrir o corpo, na primeira garfada, eu também consiga nutrir o conforto e carinho de um abraço de mãe e, principalmente, de avó”, concluiu.
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Foto: Acervo Pessoal


