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Dia dos Pais: presença, palavra e as muitas formas de cuidar

Publicada em 09/08/2026 às 08:00

Existe uma frase que a gente escuta e nem sempre repara no peso: “puxou ao pai”. Ou então: “ele fala igualzinho ao pai dele”. Essas frases pequenas, ditas de passagem, revelam algo enorme: o quanto a relação com um pai, seja ela qual for, atravessa a vida inteira.
Ela está no jeito de amar, no jeito de discordar, às vezes até no jeito de ficar em silêncio.

Hoje, o Brasil celebra o Dia dos Pais, data que existe desde 1953, criada pelo publicitário Sylvio Bhering. Mas muito além de uma data de calendário, ela é um convite para pensar sobre um vínculo que ajuda a formar quem somos.

O Brasil é um país de histórias muito diferentes sobre paternidade. Há quem tenha crescido ao lado de um pai presente, carinhoso, que ensinou com paciência. Há quem tenha crescido sem essa figura por perto, criado por mães que fizeram, sozinhas, o trabalho de dois. Há quem tenha uma relação boa hoje, mas que levou anos de mágoa até chegar ali. E há quem ainda não tenha chegado a lugar nenhum, e talvez nunca chegue — e isso também é uma história válida, que merece ser respeitada, não escondida atrás de frases prontas.

Ainda assim, vale a pena parar um instante para pensar em como um pai fala com um filho, porque é aí, muitas vezes, que a relação se constrói ou se perde. Não é só o que se diz, mas como se diz. Um “confie em você” dito na hora certa, pode acompanhar alguém a vida inteira. Um silêncio no momento em que se precisava de uma palavra também acompanha, só que do outro jeito.

A voz de um pai — presente, ausente, ríspida, gentil — vira, de alguma forma, uma voz interna que a gente carrega e, com o tempo, aprende a interpretar, questionar ou até substitui-la por outras mais gentis.

Porque a paternidade, no fim das contas, não depende só de laço de sangue. Tem gente que nunca teve filho e, mesmo assim, foi pai — de sobrinhos, de afilhados, de alunos, de amigos mais novos que precisavam de alguém que acreditasse neles. Tem tio que ensinou a andar de bicicleta, professor que aconselhou em meio a uma fase difícil, vizinho que abriu a porta de casa quando a de dentro estava fechada. Paternidade, muitas vezes, é menos sobre quem gerou e mais sobre quem ficou, quem ensinou, quem sustentou. E isso amplia a data para muito além da genética: comemorar o Dia dos Pais também é comemorar quem, de alguma forma, exerceu esse cuidado, mesmo sem o título.

Então, neste domingo, o convite é mais simples: pense no seu pai, seja ele quem for, esteja ele perto ou longe, vivo ou apenas em lembrança. Pense também em quem, sem ser chamado de pai, cumpriu esse papel na sua vida. E, se puder, seja essa pessoa para alguém, porque, de tantas formas possíveis, isso também é o que significa ser pai.

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