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Dia do Estudante: nunca é tarde para voltar à escola

Publicada em 11/08/2026 às 08:30

Conheça a história de Maria Aparecida dos Santos, que em meio aos desafios reservados pela vida, não desistiu de estudar; O CMEJA oferece educação pública para jovens, adultos e idosos da cidade.

“Ocorre uma grande transformação na autoestima e confiança dos estudantes”, essa é a fala de Lucélia Moura, diretora do Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (CMEJA), que nota diferença em todos aqueles que decidem se alfabetizar. 

A Constituição Federal estabelece a educação como um direito de todos os brasileiros e brasileiras, mas muitos ainda sofrem com o analfabetismo. Segundo o censo de 2022 do Índice Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registra 4,8 milhões de pessoas, com 15 anos ou mais, que não sabem ler e escrever. O CMEJA, localizado no Complexo Argos (Av. Dr. Cavalcanti, 396 – Centro), busca reverter essa situação no município, então oferece ensino público aos jovens, adultos e idosos que desejam concluir o ensino básico. 

Neste Dia do Estudante, a TVTEC Jundiaí traz a história de Maria Aparecida dos Santos (71), formada pelo CMEJA, que contou como os estudos transformaram a sua vida. Nessa matéria, também participam Lucélia Moura, diretora do Centro, e Marcela Pompermayer, professora na instituição. 

Infância e Juventude de Maria Aparecida

Maria Aparecida, mais conhecida como Cidinha, teve uma infância e, principalmente, juventude muito difícil: “Eu comecei a trabalhar muito cedo, minha juventude não foi diferente, não tive tempo para brincar de boneca na infância e muito menos para estudar”, relatou.

Foi em 2010, com mais de 50 anos de idade, que ela decidiu se matricular no CMEJA e concluir os estudos: “Mesmo com as dificuldades e tendo que trabalhar para ajudar em casa, eu sempre gostei muito de estudar, mas não tive a oportunidade quando criança. Então, em 2010, comecei no CMEJA e hoje, com 71 anos, posso dizer

Independência e superação

A pessoa analfabeta se torna dependente, precisa de alguém sempre ao lado para ler placas, cardápios ou para realizar compras e pagamentos. Cidinha se via farta disso e após se formar, disse que se sente livre para fazer tudo o que deseja: “Estudar te dá liberdade de ir e vir sem depender de ninguém, para ler o letreiro do ônibus, conferir o troco, coisas simples, mas muito importantes para a independência”.

Ela não parou apenas no ensino básico, atualmente possui diversas formações, como em Segurança Alimentar e Cidadania pelo SEBRAE, e em Fabricação e Manipulação de Alimentos pelo Senac, também participou de alguns cursos oferecidos pela TVTEC: “Primeiramente, participei do curso de Oratória, amei a aula e os professores, e resolvi voltar para o Rota Renova, onde aprendi muito sobre construção de carreira”, relatou.

Maria Aparecida também deixou uma mensagem de incentivo àqueles que desejam iniciar ou retomar os estudos: “Nunca é tarde para estudar, não desista, volte sempre à sala de aula. O céu é o limite, é só ter foco, determinação e persistir”, concluiu.

Educadores

Do outro lado estão os professores. Além de ensinar, eles se tornam companheiros, escutam os desabafos e buscam incentivos para que os alunos não desistam durante o processo. 

Marcela Pompermayer, professora no CMEJA, esclareceu que muitas das dificuldades surgem dentro e fora da sala de aula, mas que os empecilhos permitem uma aproximação com os estudantes: “Alguns alunos apresentam dificuldades em conciliar a rotina de trabalho e afazeres domésticos com os estudos, já outros possuem limitações auditivas ou visuais. Fora do ambiente escolar, muitos enfrentam o julgamento e a falta de apoio familiar. Quando esses desafios são compartilhados, quando os alunos contam as próprias histórias, a sala de aula se torna uma rede de acolhimento e o professor é visto como um ombro amigo”. 

Quando se fala em educação, a maioria das pessoas pensa na pedagogia infantil, mas esse é um assunto que abrange diferentes públicos e formas de ensino. A professora explicou os métodos usados no processo de aprendizado dos maiores de idade e mais velhos: “A alfabetização de adultos e idosos leva em consideração o que os estudantes já sabem, como por exemplo, sabem contar dinheiro, conhecem plantas, têm noção de geometria e espaço por causa do trabalho, e é bom na oralidade. Eles possuem uma bagagem imensa de vida, sabedoria prática, e experiências profissionais, a aprendizagem valoriza isso”. Marcela também destacou a importância do profissional de educação: “É um papel de troca constante, escuta, empatia e acolhimento. Enquanto a professora ensina a ler e a escrever, os estudantes ensinam sobre a vida, sobre as superações. O educador ensina, mas também aprende, diariamente”. 

Sobre o CMEJA 

Desde 1996, o CMEJA oferece ensino público aos jovens, adultos e idosos de Jundiaí. Durante esses 30 anos de história, a instituição formou 20.622 alunos e atualmente conta com 770 estudantes matriculados.

A diretora Lucélia Moura esclareceu a importância do Centro para o desenvolvimento socioeducacional da cidade: “O CMEJA promove a alfabetização e a elevação da escolaridade da população. A iniciativa amplia as oportunidades de inserção e permanência no mercado de trabalho, e contribui para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes. Jovens, adultos e idosos desenvolvem conhecimentos, habilidades e competências que favorecem a participação ativa na sociedade, estimulam o pensamento crítico e fortalecem a autonomia”.

A diretora também nota desenvolvimento pessoal e profissional nos alunos durante o processo de aprendizagem: “Muitos começam inseguros, acreditando que não serão capazes de aprender, mas ao longo da trajetória eles redescobrem o próprio potencial, conquistam melhores oportunidades profissionais, dão continuidade aos estudos em cursos técnicos ou no ensino superior e se tornam referência para seus familiares, incentivando outras pessoas a também retornarem à escola”. 

As inscrições para as turmas abrem semestralmente e podem ser realizadas na secretaria da instituição, é necessário apresentar os seguintes documentos originais e cópias:

  • RG;
  • CPF;
  • Histórico Escolar;
  • Comprovante de Residência;
  • Certidão de Casamento, em caso de alteração de nome;
  • RG e CPF do responsável legal, caso o estudante seja menor de idade;
  • Laudo Médico, caso o estudante possua deficiência.

A matrícula para o ensino fundamental é permitida para pessoas a partir dos 15 anos, já para o ensino médio somente maiores de idades podem participar. 

Serviço:

  • Horário de funcionamento: 08h – 22h
  • Localização: Av. Dr. Cavalcanti, 396, Centro – Complexo Argos
  • Telefones: (11) 4588-7962, (11) 4588-7964, (11) 4588-7969 e (11) 4587-3518
  • E-mail:  cmeja@jundiai.sp.gov.br.

Mídias TVTEC Jundiaí

Imagens: acervo pessoal e PMJ


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