Dia do Poeta: uma profissão para além dos versos e rimas
Cordelista de Jundiaí destacou o papel do poeta na construção da cultura e literatura popular do Brasil

Palavras organizadas em versos e versos organizados em estrofes são capazes de retratar o cotidiano, contar histórias e expressar sentimentos, o poema representa o lado mais emocional da literatura e o poeta é o responsável por isso.
Neste Dia do Poeta, a TVTEC Jundiaí entrevistou Cléia Luh, escritora e poeta cordelista da cidade, que contou sua trajetória na literatura e escreveu um poema exclusivo para a TVTEC sobre o que é ser poeta:
Ser Poeta
Ser poeta é dar voz
Ao que a alma quer dizer,
É colher sonhos no vento
E em palavras florescer,
Fazendo brotar beleza
Onde ninguém pode ver.
Não curvar ao esquecimento,
Nem calar ante a opressão.
Dar aos fracos vez e fala,
Escrever com o coração
Transformar em esperança,
O clamor de uma nação.
Ser poeta é ver no mundo
Sempre uma boa história,
Transformar cada viver
Registrando a trajetória.
Sobre o ontem e o hoje,
Que eternizam a memória.
O poeta é passarinho,
Que não cansa de voar.
Leva letras pelas ruas,
Faz a vida despertar,
E semeia, em cada peito,
Novas formas de amar.
Quando o povo conta histórias,
O poeta ouve o chão.
Põe no verso a voz da gente,
Costumes e tradição,
Faz da língua um patrimônio,
Da palavra, o coração.
Ser poeta é dar passagem
Aos sentidos para arder,
É guardar de cada tempo
O que não pode perder.
Traduzir cada momento
Para o tempo reviver.
Cléia Luh
Início
Cléia Luh é graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), contou que sempre adorou livros, mas que nunca se imaginou como escritora: “Sempre gostei muito de ler e de livros, mas só me aventurei na escrita em 2020. Fui despertada por uma oficina de cordel e, desde então, não parei mais”.
Foi nesta oficina que ela decidiu ser poeta cordelista. Segundo Cléia, a sonoridade dos versos e estrofes e o processo de escrita, são coisas que o gênero carrega e que a encanta: “Foi encantamento, depois da oficina, como comentei anteriormente, aquilo era parte de mim. Não me via mais longe desta literatura. Escrever, ler e declamar a nossa literatura popular, através do cordel, é fantástico para mim”.

Identidade brasileira
Segundo a escritora, o poeta possui uma grande participação na construção da literatura e cultura brasileira: “Toda cultura de um povo é feita de histórias e tem jeito melhor de registrar e preservar essa história do que com a escrita? A sonoridade do nosso cordel é do Brasil, o poeta cordelista preserva a oralidade, os ritmos, as rimas, as expressões populares e os conhecimentos transmitidos entre gerações. Ele mantém a literatura brasileira viva”.
Porém, assim como outras profissões, o poeta também enfrenta muitos desafios, principalmente a descredibilização do gênero literário: “A poesia popular, como o cordel, sofre preconceito quanto à credibilidade literária. O fato de ser um gênero popular, faz com que muitos vejam como algo errado e inculto, dentre outros adjetivos preconceituosos, mesmo sendo um patrimônio cultural imaterial brasileiro”, explicou Cléia Luh.
Outro ponto também abordado pela poeta foi a questão das redes sociais. Para ela, o ambiente digital não afeta diretamente a relação da poesia com o público, pelo contrário, pode ser uma ferramenta para popularizar os poetas e seus trabalhos.

Vivências em Jundiaí
Cléia Luh, em algumas de suas obras, registrou em versos e rimas as suas vivências em Jundiaí: “Em um, folheto de cordel, conto sobre os 80 anos de história da festa da uva. Já em um outro texto, escrito para uma intervenção artística, eu “cordelizo” a cidade, por meio dos pontos históricos e turísticos”, disse.
Para incentivar a literatura local, a cordelista deixou uma lista de indicações de livros de poetas jundiaienses, para o público. Confira:
- “Enclausurado” e “No meu caminho de mulher chutei pedras, chutei muitas pedras no meu caminho de mulher” de Mara Lígia Biancardi;
- “Condenados à existência”, “Versos ao tédio” e “Nada é tão impressionante” de Vitor Freddo;
- “Entre dois mundos” de Sílvia Rocha;
- “Gotas de impermanência” de Renata Lacovino;
- “Inevitável” de Rosana Congílio.
Mídias TVTEC Jundiaí


