Outubro Rosa: câncer de mama, tratamento e saúde mental andam juntos
Conheça a história de uma mulher que enfrentou o câncer de mama durante a pandemia de COVID-19 e superou os desafios de autoestima causados pelo tratamento; Especialista do HSV traz orientações sobre a doença
Uma das doenças mais limitantes para o ser humano é o câncer. Pessoas diagnosticadas sofrem com imunização debilitada, enfraquecimento, cansaço extremo, entre muitos outros sintomas, e o câncer de mama não é diferente. Além de afetar o físico, a doença impacta, principalmente, a saúde mental das mulheres.
Neste Outubro Rosa, a TVTEC Jundiaí conta a história de Tânia Rocha, que durante a pandemia de COVID-19 tratou o câncer de mama e precisou passar por muitos desafios em relação à sua autoestima. A matéria também conta com a participação do oncologista do Hospital São Vicente de Paulo (HSV), Dr. Arthur Maia Gomes Filho.
O diagnóstico
Tânia sempre fez as mamografias de rotina, mas foi em abril de 2019, durante o exame das mamas, que surgiu a suspeita: “eu fiz o exame de mama de rotina e eles perceberam alguma coisa de anormal, então, pediram para voltar com seis meses. O que achei estranho, porque o meu costume era ir apenas uma vez no ano para fazer a mamografia”, explicou.
Então, em outubro de 2019, ela retorna ao médico para mais uma vez realizar o exame: “desta vez, quando fiz novamente a mamografia, o médico identificou os nódulos, eu estava com câncer de mama”, disse.
O oncologista, Dr. Arthur Maia Gomes Filho, esclareceu que exames e acompanhamento médico, são essenciais para o diagnóstico da doença em estágio inicial: “a grande maioria dos nódulos e alterações mamárias têm origem benigna, mas apenas a avaliação clínica e os exames de imagem podem esclarecer o quadro com rapidez e segurança”.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 2026 e 2028, são estimados 78.610 novos casos anuais de câncer de mama, em comparação, a média entre 2023 e 2025, foi de 73.610 por ano. O aumento dos casos é justificado pelos avanços da medicina, que apresentam diagnósticos cada vez mais precisos.
Pandemia de COVID-19
Após o diagnóstico, Tânia foi orientada a passar com um especialista, que pediu para ela realizar a quadrantectomia, cirurgia feita para tratar o câncer de mama em estado inicial e controlar o avanço da doença: “Logo após a notícia, já me encaminharam para o mastologista e ele disse que precisava fazer a quadrantectomia para remover os nódulos”, contou.
A cirurgia foi realizada em abril de 2020, um ano após o diagnóstico, durante o início da pandemia de COVID-19, em um período em que o vírus ainda não era conhecido. Ela conta que ficou receosa em realizar o procedimento na época: “eu fiquei um pouco assustada, tanto por ter que passar pela cirurgia, quanto por ter que fazer isso na pandemia, mas por causa dos cuidados, eu não fiquei internada. Passei pelo procedimento de manhã e à noite, fui liberada”, esclareceu.
Assim como o médico de Tânia, Dr. Arthur também orientou para que pacientes procurem especialistas assim que recebem o diagnóstico: “A primeira atitude é procurar, imediatamente, atendimento médico com um ginecologista, mastologista ou na unidade de saúde mais próxima”.
A saúde mental durante o tratamento
Após a retirada dos nódulos, Tânia iniciou as sessões de quimioterapia. Com o passar do tempo, viu o seu corpo reagir, seu cabelo caiu, a sobrancelha começou a apresentar falhas e o intestino sentia constantemente os efeitos colaterais do tratamento: “Então, comecei a quimioterapia vermelha e depois já passei para a quimio branca, todo esse processo durante 2020. Meu cabelo começou a cair e eu deixei, quando vi que já estava ralo, raspei a cabeça, mas no geral, meu corpo reagiu bem às sessões de quimioterapia, senti alguns sintomas, como intestino “preso”, já a queda do cabelo era algo esperado.
Os efeitos colaterais e mudanças corporais, como queda de cabelo e remoção das mamas, causadas pelo tratamento do câncer de mama, podem afetar a saúde mental e autoestima da mulher: “A autoestima fica lá embaixo, pelo menos comigo foi assim. Além do apoio da minha família, na época, também precisei de acompanhamento com uma psicóloga”, relatou Tânia.
“As etapas do tratamento, como a queda de cabelo, a cirurgia na mama e alterações no peso afetam profundamente a autoestima da mulher. O suporte psicológico e a rede de apoio são tão essenciais quanto os medicamentos”, explicou o oncologista.
Acolhimento hospitalar
Durante este momento delicado na vida das mulheres, o acolhimento e atendimento hospitalar faz toda a diferença. O Hospital São Vicente de Paulo (HSV) busca realizar um acolhimento integral às pacientes, com uma equipe multidisciplinar humanizada composta por enfermeiros, oncologistas e mastologistas, psicólogos, nutrólogos e fonoaudiólogos. Além do Serviço Social que oferece orientações sobre direitos previdenciários, esclarece dúvidas, identifica vulnerabilidades e mapeia a rede de apoio de cada uma.

Mensagem de apoio
Durante todo o ano de 2020, Tânia realizou várias sessões de quimioterapia e acompanhamento médico, e quando recebeu a notícia que estava curada, sentiu um grande alívio: “quando fiz os exames e não apareceu mais nada nos resultados, nossa…foi um alívio enorme. Agora que passou, eu estou muito bem, mas às vezes vejo as fotos, lembro de tudo o que aconteceu comigo e fico pensando em como passei por aquilo”, falou Tânia.
Ao final, ela também deixou uma mensagem de apoio às mulheres que, atualmente, enfrentam o câncer de mama: “Para todas as mulheres que estão passando por isso que eu já passei: eu sei que é um momento difícil, mas saibam que tudo tem a sua hora, mantenham a fé firme, porque isso tudo um dia acaba”.
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