A Páscoa para os Católicos
A Páscoa constitui o centro da fé cristã.
A Igreja celebra nesse tempo o acontecimento que sustenta toda a esperança dos discípulos de Cristo: a ressurreição de Jesus.
A tradição cristã conserva essa memória desde os primeiros séculos, transmitindo de geração em geração a certeza de que a vida venceu a morte e de que Deus permanece atuando na história humana.

O significado da Páscoa encontra suas raízes na própria história da salvação narrada nas Sagradas Escrituras. A antiga Páscoa judaica recordava a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. A celebração cristã, por sua vez, reconhece em Jesus Cristo o cumprimento definitivo dessa promessa de libertação. A morte e a ressurreição do Senhor revelam que Deus conduz a humanidade para uma vida nova. A fé cristã afirma que Cristo ressuscitado inaugura uma nova criação e abre para todos os homens e mulheres a possibilidade de participar da vida eterna.
Para participarem dessa grande celebração, a Igreja conduz os fiéis a um tempo de preparação espiritual vivido ao longo da Quaresma. Trata-se de um período de quarenta dias em que os cristãos são convidados à oração, à penitência e à prática da caridade. A tradição espiritual compreende esse tempo como um caminho de conversão interior. A comunidade cristã é chamada a renovar a própria fé, a rever atitudes e a fortalecer a confiança em Deus. Essa vivência quaresmal conduz progressivamente para o momento central do ano litúrgico: a Semana Santa.
Ela representa o ponto culminante dessa preparação. A Igreja revive, por meio da liturgia, os últimos acontecimentos da vida de Jesus. A celebração do Domingo de Ramos recorda a entrada do Senhor em Jerusalém. A Quinta-feira Santa apresenta a memória da última ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia e confiou aos apóstolos o ministério sacerdotal. A Sexta-feira Santa conduz os fiéis à contemplação da paixão e da morte de Cristo na cruz, expressão suprema do amor de Deus pela humanidade.
A celebração mais solene, por fim, ocorre na noite do Sábado Santo, durante a Vigília Pascal. A tradição da Igreja considera essa celebração como a mãe de todas as vigílias. A liturgia inicia-se com a bênção do fogo novo e com o acendimento do Círio Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado que ilumina o mundo. A proclamação das leituras bíblicas percorre toda a história da salvação, mostrando como Deus conduziu seu povo ao longo dos séculos até a plenitude revelada em Jesus.
A celebração da Vigília inclui ainda a renovação das promessas do batismo. A água benta recorda que os cristãos participam da morte e da ressurreição de Cristo por meio do sacramento batismal.
A Eucaristia celebrada nessa noite torna presente o Senhor ressuscitado no meio da comunidade. A alegria pascal manifesta-se em toda a liturgia, nas orações, nos cantos e na reunião fraterna do povo de Deus.
Importante é explicar que a comemoração da Páscoa para os católicos não se limita a um único dia. O tempo pascal prolonga-se por cinquenta dias, até a solenidade de Pentecostes. A Igreja contempla durante esse período as aparições de Cristo ressuscitado e o nascimento missionário da comunidade cristã. A experiência pascal inspira os fiéis a viver com esperança e a testemunhar o Evangelho na vida cotidiana.
A celebração da Páscoa recorda que a fé cristã anuncia uma mensagem profundamente humana e universal. A ressurreição de Cristo ilumina o sentido da existência e fortalece a confiança diante das dificuldades da vida. A Igreja, presente também na Diocese de Jundiaí, convida todos os fiéis a viver esse tempo com profundidade espiritual, renovando a fé, fortalecendo a fraternidade e reconhecendo na ressurreição do Senhor a fonte da verdadeira esperança para o mundo.
Conheça o autor: Dom Arnaldo Carvalheiro Neto

Tem 59 anos é natural de São Paulo. Foi ordenado presbítero 1997 pertencendo ao clero da Diocese de Araçatuba (SP). É graduado em Filosofia e Teologia, com especialização em Direção Espiritual e em Capelania Hospitalar. Em sua trajetória acadêmica, foi professor de Ensino Religioso, História da Filosofia Antiga e de Aconselhamento Pastoral. Padre Arnaldo foi nomeado Bispo pelo Papa Francisco em 4 de maio de 2016, e escolheu por lema episcopal “Servi ao Senhor com Alegria (Sl 99/100)”. Foi nomeado Bispo Diocesano de Jundiaí pelo Papa Francisco, em 15 de junho de 2022. Dom Arnaldo é Bispo referencial como representante nacional para o acompanhamento de grupos católicos LGBTQIAPN+.


