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19 de abril: Dia dos Povos Indígenas resgata ancestralidade e resistência 

Publicada em 19/04/2026 às 09:00

Conheça a história de Brenda dos Santos Teixeira, mulher indígena que divide sua vida entre São Paulo e suas origens no Mato Grosso do Sul

O indígena é o brasileiro originário, quem esteve nessa terra muito antes dos portugueses, quem cuida dos biomas e luta pela ancestralidade de um país que insiste em apagar a própria história. 

Em Jundiaí, os Tupi-Guaranis dominavam a região no século XVII, mas com a colonização a comunidade se dispersou. Registros históricos mostram que existiam cemitérios indígenas onde atualmente se localizam o Jardim Samambaia e a Malota. A herança indígena se mantém no próprio nome da cidade: Jundiaí, que na língua tupi-guarani é interpretado como “yundiaí” e significa “Rio dos Bagres”. Atualmente não há registros de comunidades indígenas na cidade. 

Em homenagem aos povos originários do Brasil, a TVTEC Jundiaí entrevistou Brenda dos Santos Teixeira, mulher indígena da etnia Terena, nascida em Aquidauana, cidade pantaneira no Mato Grosso do Sul (MS), que se mudou para São Paulo em busca de oportunidades.

Origem

Brenda, é filha de Almir Santana Teixeira, nascido e criado na Aldeia Pantanal e indígena da etnia Terena, e de Raquel dos Santos Teixeira uma “turutuye”, que na língua terena significa mulher não índigena. Ela contou que o relacionamento dos pais não era aceito pela família materna, pois tinham dúvidas se o pai, devido a sua origem, seria capaz de oferecer uma boa qualidade de vida para a mãe, então começaram a namorar às escondidas.

Entretanto, com o nascimento de Brenda em 1996, a relação foi aceita. Ela relembrou a sua infância em Aquidauana, o contato constante com a natureza, com a ancestralidade e um forte senso de comunidade: “Quando era pequena lembro de ter um modo de vida muito simples, a relação com a natureza era muito presente. Um cuidava do outro com muito carinho, existia uma comunidade. Também tenho a lembrança de assistir às minhas tias dançando a ‘Dança Ema’, um ritual de celebração das mulheres Terenas”.

Brenda é a filha mais velha e possui mais dois irmãos./Divulgação: acervo pessoal.

Com 17 anos, se mudou para Campo Grande para fazer cursinho pré-vestibular. Entrou para a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) no Mato Grosso do Sul, e cursou Química, mas não se identificou com a área. Foi então que sentiu a necessidade de buscar algo novo, em 2017 se mudou para São Paulo em busca de oportunidades.

Mudança de vida

Brenda chegou à capital paulista com muitos sonhos, mas a adaptação não foi fácil. Se sentiu perdida, sem saber qual caminho seguir: “Eu vim para São Paulo buscando mudança de vida, mas me senti perdida por muitos anos. Tinha começado um curso na Etec, mas não terminei, e já tinha trancado o curso de Química na UFGD. Então, eu senti que precisava terminar alguma coisa, precisava de uma formação”.

Em 2024, com 27 anos, ela conhece o Jornalismo e se encanta. Começa na faculdade no mesmo ano e tem a certeza que se encontrou: “Em 2024, consegui uma bolsa de 50% para o curso de Jornalismo e aqui estou. Com quase 30 anos, finalmente me encontrei. São Paulo é uma terra de oportunidades, às vezes você fica perdido, mas acaba encontrando o seu caminho”.

Mesmo se encontrando profissionalmente, Brenda se sentia dividida entre à sua origem em Aquidauana e sua vida em São Paulo. Por ser uma mulher indígena vivendo em um ambiente muito diferente da sua realidade no MS, enfrentou muitas barreiras.

Desafios

Ano passado passou por uma crise de identidade, se sentiu culpada por estar focada em sua vida profissional e não conseguir contribuir totalmente com a família em Aquidauana, então precisou encontrar um equilíbrio, visita a comunidade em datas comemorativas importantes, como o 19 de abril. 

Desde que se mudou para São Paulo, Brenda contou que nunca sofreu com o preconceito diretamente, mas quando tenta resgatar a sua ancestralidade através de pinturas corporais ou acessórios, sente os olhares de julgamento das pessoas ao redor. “Não sofri com o preconceito diretamente, mas acontecem algumas situações que me deixam desconfortável. Uma vez  fui em um bar com amigos e estava com pinturas corporais, as pessoas olhavam para mim como se fosse uma alegoria, uma diversão para eles, me senti muito incomodada e fui embora”, relatou.


“Já ouvi comentários preconceituosos sobre o povo indígena que me deixaram desconfortável em diversas ocasiões”, relatou Brenda./Divulgação: acervo pessoal.

Resistência indígena

Brenda ressaltou a importância da luta indígena para a identidade do Brasil: “A família tradicional brasileira é a família indígena, é muito importante lembrar quem são os povos originários desse país para que a história não seja esquecida. O Brasil é branco, africano e, principalmente, indígena”.

Também destacou o valor da reafirmação indígena: “É muito importante, nós indígenas, nos reafirmarmos sempre, mesmo em contextos diferentes, temos nossos direitos e devemos lutar por eles. Existe uma expressão na língua terena que é ‘vukápanavo’, significa ‘avante guerreiro e guerreira’”, concluiu. 

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