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Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Publicada em 03/05/2026 às 09:00

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, foi proclamado pela ONU em 1993 para defender a independência da mídia, homenagear jornalistas que perderam a vida no exercício da profissão e avaliar o estado da liberdade de expressão globalmente

A data reforça que a liberdade de imprensa é essencial para o funcionamento da democracia, comprometendo os Governos com a fiscalização do poder e o acesso à informação.

Os principais desafios atualmente são o aumento de ataques físicos e virtuais a jornalistas, a censura, descredibilização da imprensa e a necessidade de proteção da integridade dos profissionais em áreas de conflito.

A TVTEC Jundiaí foi ouvir o jornalista, professor e escritor jundiaiense Nelson Manzatto, 75 anos, que teve seu primeiro contato com uma redação de jornal em fevereiro de 1970, quando iniciou no Jornal da Cidade, como revisor de textos, para que ele recordasse sua carreira profissional e falasse sobre a importância de se ter uma data instituída para celebrar a Liberdade da Imprensa. Confira na íntegra.

A construção de uma carreira

Quando comecei não havia internet, apenas uma telefônica e um veículo de reportagem, o jornal circulava de terça a domingo, com 12 páginas. Após um ano de jornal, fui convidado para escrever um texto sobre o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – criado pelo governo militar e que, em 1971, formaria em Jundiaí, cinco mil adultos e contaria com a presença do presidente Emílio Garrastazu Médici.

Para essa tarefa, recebi do editor-chefe, duas revistas Veja e alguns exemplares de jornais para levantar informações e desenvolver textos para edição de domingo, com duas páginas, o objetivo era falar sobre o projeto e seu desenvolvimento na cidade. Ninguém foi entrevistado por mim, apenas criei textos em cima das informações recebidas. No mesmo ano, passei para a reportagem e minha primeira matéria acabou virando manchete do jornal, pois falava sobre o aumento das tarifas de táxi.

Depois disso, passei a ser repórter. Por ter a prática de diagramação, assumi tal função, trabalhando de manhã, para fechar páginas internas do jornal e acabei sendo nomeado chefe de reportagem. Na função fiquei até 1976, quando o jornal criou jornais na região – Jornal da Cidade de Várzea Paulista e o Jornal da Cidade de Campo Limpo Paulista. Na mesma época, fui um dos criadores do jornal do Clube Jundiaiense e abri, com Aurélio Rodella, fotógrafo, uma empresa e criamos o Clubes Jornal.

Em 1979 assumi a chefia de redação do jornal Folha de Bragança, que circulava duas vezes por semana. Permaneci ali até março de 1980 quando fui convidado a assumir o Jornal de Domingo, semanário de Campinas, onde eu havia trabalhado em 1972, mas depois voltei ao Jornal da Cidade, na mesma função. Saí do Jornal de Domingo, pois entrara na faculdade e as aulas eram à noite e o fechamento do jornal, que era feito em São Paulo, nos Diários Associados, me tirava das aulas pelo menos dois dias da semana.

Editor-chefe e novos desafios

Fui nomeado editor-chefe do Jornal de Domingo e ali permaneci até 1984, quando me tornei editor de Política e Economia no Diário do Povo, também em Campinas.

O ano era 1980, mudei meu domicílio para Campinas. A diferença nas funções era grande, enquanto Jornal de Domingo tratava de variedades, o trabalho, agora era totalmente diferente, no Diário do Povo, o fechamento era a partir da noite. Permaneci na função até 1990 quando assumi o cargo de editor-chefe. Como o Diário do Povo era de propriedade de Orestes Quércia, na época governador de São Paulo, acabei saindo em 1992, me transferindo para o jornal Diário Popular, em São Paulo, onde ocupei a função de editor de Economia.

No exercício da profissão tendo por companhia as “laudas” e a velha máquina de escrever Remington./Divulgação: acervo pessoal.

No Diário Popular até 1996 e, morando novamente em Jundiaí, atuei na campanha política do então candidato de Miguel Haddad que venceu a eleição, fui convidado a integrar a equipe da Assessoria de Imprensa da Prefeitura. Um ano depois, acumulei esta função, juntamente com o cargo de produtor de jornalismo na Rádio Cidade e editor de Política e Economia no Jornal de Jundiaí (JJ).

A vida virou uma loucura. Como três empregos não é bom para ninguém, deixei a rádio, ficando com o JJ e assessoria, isto até 2000. Em setembro de 1990 fui nomeado editor-chefe do Jornal de Jundiaí e deixei a Prefeitura. Permaneci na chefia de redação do JJ até junho de 2007 quando, já aposentado, deixei a empresa.

Gosto de ressaltar que a minha carreira profissional iniciou em jornal, como revisor, e me aposentei tendo chefiado três redações: duas em Campinas e outra em Jundiaí, onde comecei na profissão.

O escritor

Quando deixei o jornal, decidi abrir mais espaço para a literatura em minha vida. Já tinha iniciado nela quando, em 1997, venci um concurso em Jundiaí, com o livro “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete”, na categoria Romance, concurso contemplava poesias, crônicas e romance. Como prêmio, recebi 600 exemplares do livro e promovi uma noite de autógrafo no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, no início do ano seguinte.

Quando era editor-chefe do JJ, criei, em 2001, o caderno “Leitura de Domingo”, com resenhas de livros, entrevistas com escritores, lançamentos e espaço para crônicas e poesias. Foi neste caderno que comecei a publicar crônicas, a maioria deles, ligadas à minha infância. Por conta disso, a escritora e poetisa, Olga Mathion, me convidou para ingressar na Academia Jundiaiense de Letras. A partir de 2002, portanto, me tornei imortal.

Aposentei em 2007 e publiquei no final deste mesmo ano o livro “Contos e Crônicas de Natal”, onde haviam cinco textos premiados e um deles, em primeiro lugar, em um concurso internacional. Em 2012 foi a vez do livro “Momentos”, com grande parte dos textos publicados no tempo do Jornal de Jundiaí, e outros que vieram depois e que estão publicados no meu blog: blogdonelsonmanzatto.blogspot.com. Dois anos depois, animado com o grande número de seguidores, publiquei o livro “No meu tempo de criança”, com histórias vividas por leitores e, cujo texto, na maioria, eram meus. Jamais deixei de escrever, atualmente tenho três livros em fase de finalização, mas busco apoios culturais, porque não é barato publicar um livro.

Além disso, mantenho o blog e publico textos – alguns deles saindo atualmente no JJ – e muitos já publicados nos tempos do Bom Dia, também conto histórias da redação, tudo que vivi em Jundiaí, Campinas e São Paulo, estão relatados ali. A ideia era publicar um livro em 2020, quando completei 50 anos de jornal, mas a pandemia atrapalhou e, agora, estou preparando textos para possível publicação. No ano passado publiquei, junto com outros três acadêmicos o livro “Cordialidades”.

Fora dos jornais e no espaço da literatura, acabei sendo professor de jornalismo entre 2008 e 2010 em Itu e Campo Limpo Paulista. Deixei a função em 2010 e voltei à Prefeitura onde permaneci até 2012.

Liberdade de Imprensa

Antes da criação da data em 1993, Nelson Manzatto lembrou que o Brasil viveu uma verdadeira “perseguição” à imprensa, principalmente nos tempos da ditadura militar que iniciou a partir de 31 de março de 1964 e durou até 1985, nos anos de 1970, grandes jornais viviam com a presença de censores das redações. O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde, em protesto, publicavam trechos de Lusíadas e receitas de bolos, nesta época, muitas donas de casa, ligavam na redação do Jornal da Tarde, que publicava as receitas, reclamando que muitas vinham incompletas, não entendendo o objetivo de tais publicações. Durante quase três anos de setembro de 1972 a janeiro de 1975, o grupo contabilizou 1.136 textos censurados.

Por trabalhar num jornal de político – continuou Nelson –  e por ser o editor-chefe, fui processado oito vezes, não fui condenado em nenhum deles, mas ficava sempre apreensivo com o que poderia acontecer.

Infelizmente, apesar da “liberdade de imprensa”, jornalistas são expulsos de coletivas e até mesmo mortos em alguns países. Pouco ou quase nada os governantes apoiam o nosso trabalho. A chegada das redes sociais complicou ainda mais: sem a obrigatoriedade do diploma de jornalista, desde 2009, todo mundo se vê no direito de escrever e, muitas vezes, textos sem sentido.

Com a chegada da Inteligência Artificial, as fakes news estão presentes todos os dias, em um desrespeito total à verdade dos fatos e ao trabalho jornalístico. Grande parte da população que acompanha as redes sociais não questiona a veracidade das informações.

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