18 de junho, Dia do Orgulho Autista: amor que nasceu com maternidade atípica
Mãe e filha possuem história marcada por desafios, coragem e afeição
Ser mãe é aprender a amar de diferentes formas. Para quem vive a maternidade atípica, esse amor é traduzido em descobertas e desafios vencidos diariamente, foi no colo de Fernanda Bueno que Maria Clara Bueno (11) sentiu isso. Neste Dia do Orgulho Autista, conheça a história de mãe e filha, que encontraram uma à outra, e hoje possuem uma trajetória repleta de superação e afeto incondicional.

“Participo do Clube de Mães Atípicas de Jundiaí desde que foi criado”, afirmou Fernanda./Divulgação: acervo pessoal.
A TVTEC Jundiaí entrou em contato com Fernanda, a mãe contou como conheceu a filha, se encantou e adotou a menina. Confira na íntegra:
“Sou mãe atípica adotiva, minha filha chegou de São Paulo com um ano e três meses de vida. Quando adotei Maria Clara, ela já havia recebido o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) pela APAE, pois sua mãe biológica era moradora de rua, e usuária de drogas e álcool. Desde bebê, sempre foi uma menina muito carinhosa”, começou Fernanda.
A mãe continuou e explicou que ainda bebê, Maria Clara começou os tratamentos e que alguns anos depois a menina foi diagnosticada com TEA grau 1 de suporte e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade): “Desde então, em abril de 2016, ela iniciou as terapias e também fisioterapias, pois no abrigo onde Maria Clara morava, não haviam muitos estímulos para as crianças se desenvolverem. Tempo depois, com aproximadamente quatro anos, minha filha recebeu um novo diagnóstico: TEA grau 1 de suporte com TDAH.”
“Minha filha ama contato físico, mas quando o carinho não é retribuído, ela se desregula. Após uma nova avaliação, com sete anos de idade, Maria Clara recebeu outro diagnóstico: TEA grau 2, devido à deficiência intelectual e ao DPAC (Distúrbio do Processamento Auditivo Central), o cérebro da minha filha tem dificuldade em interpretar e organizar alguns sons”, explicou.
Fernanda disse que sua filha estuda, participa das terapias e pratica esportes: “Atualmente ela está com 11 anos de idade, estuda na EMEB Flávio D’angieri e está no 5º ano do ensino fundamental, possui algumas dificuldades de leitura e compreensão, então ainda está em processo de alfabetização. Além dos estudos, Maria Clara faz 6h de terapias semanais diversas que incluem fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, musicoterapia e algumas outras, também luta jiu-jitsu e ama o esporte. Minha filha é muito feliz, amorosa e alegre!”
Como toda maternidade, a de Fernanda também veio acompanhada com desafios: “Deixei de lecionar de noite e passei a trabalhar home office para dedicar mais tempo à Maria Clara. Também me divorciei do pai adotivo dela, atualmente eles têm pouco contato. A maternidade mudou radicalmente a minha vida profissional e pessoal, durante esses anos fiz escolhas difíceis que afastaram muitas pessoas, mas pela minha filha faço e farei qualquer coisa, amo ela mais que tudo.”
A mãe continuou: “Hoje estou com 47 anos, sou pós graduada em Recursos Humanos, tenho formação em terapia infantojuvenil e sou estudante de psicopedagogia. No futuro pretendo atuar como terapeuta e orientadora profissional de jovens e adolescentes”.
“Em alguns momentos, Maria Clara se desregula e passa por crises, isso espanta as pessoas. Já ouvi palavras como, ‘ela é mal educada!’ ou ‘não consegue controlar a sua filha?’, eu e ela já passamos por situações muito difíceis, mas a vida colocou em nosso caminho pessoas que nos apoiam e nos encorajam. Hoje eu luto com todas as minhas forças contra a sociedade preconceituosa, participo de atividades e grupos ligados ao autismo, e sempre incentivo a minha filha em tudo o que ela deseja fazer”, concluiu a mãe.
Histórias como a de Fernanda e Maria Clara mostram que o Dia do Orgulho Autista também envolve maternidade, dedicação, afeto e coragem para enfrentar desafios e preconceitos. A inclusão começa com o amor: o amor de uma mãe que demonstrou empatia por uma criança que não foi gerada em seu ventre, mas que despertou o sentimento mais puro que Fernanda pode sentir.
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