A taça não veio, mas a xícara está cheia: café brasileiro vive fase histórica no mercado internacional
Enquanto o Brasil segue sem conquistar a Copa do Mundo, os cafés especiais brasileiros colecionam vitórias no exterior, movimentam bilhões e reforçam uma tradição que também faz parte da história de Jundiaí.

A Copa do Mundo terminou e, mais uma vez, a taça não veio para o Brasil. Mas, se no futebol o jejum continua, nas cafeterias do mundo inteiro o país segue levantando outro troféu: o da qualidade.
Os cafés especiais brasileiros vivem um dos melhores momentos da história. Muito além da paixão nacional, o grão produzido no país tem conquistado mercados internacionais, movimentado bilhões de reais e consolidado o Brasil como referência mundial quando o assunto é café de alta qualidade.
Os números ajudam a explicar esse bom momento. Apenas em abril deste ano, uma missão comercial brasileira levou 19 empresários do setor para a China, durante a Hotelex Shanghai 2026, considerada a maior feira de hospitalidade da Ásia. A participação resultou em 436 contatos comerciais e uma expectativa de negócios superior a US$ 109 milhões, o equivalente a mais de R$ 550 milhões nos próximos 12 meses.
O desempenho também foi expressivo em outros continentes. Na Austrália, durante a Melbourne International Coffee Expo (MICE), principal feira de cafés especiais da Oceania, a projeção de negócios chegou a US$ 17,5 milhões. Já nos Estados Unidos, principal destino do café brasileiro, uma nova rodada de negociações abriu perspectivas de contratos que ultrapassam US$ 188 milhões.
O crescimento aparece também nas exportações. Em 2025, a receita cambial do café brasileiro aumentou mais de 25%, alcançando US$ 14,2 bilhões, mesmo com uma pequena redução no volume embarcado. O resultado mostra que o mercado internacional está disposto a pagar mais por cafés de maior qualidade, agregando valor ao produto brasileiro.
De commodity a experiência
Nos últimos anos, o café deixou de ser visto apenas como uma bebida do dia a dia para se transformar em uma experiência gastronômica. Métodos de preparo, torra artesanal, rastreabilidade, origem dos grãos e perfis sensoriais passaram a fazer parte do vocabulário de consumidores e cafeterias especializadas.
Esse movimento impulsionou a valorização dos cafés especiais brasileiros, reconhecidos internacionalmente pela diversidade de sabores e pela qualidade da produção.
Uma história que também passa por Jundiaí
Embora hoje seja nacionalmente conhecida pela uva e pelo vinho, Jundiaí possui uma forte ligação com a cafeicultura. No século XIX, o café foi um dos principais motores do desenvolvimento econômico da cidade e contribuiu diretamente para a chegada da São Paulo Railway, ferrovia que ligou Jundiaí ao Porto de Santos e impulsionou o crescimento da região.
Esse legado permanece vivo em diversos pontos do município. A Fazenda Nossa Senhora da Conceição preserva a memória do ciclo cafeeiro por meio do Museu do Café Barão da Serra Negra, enquanto marcas tradicionais, como o Café Caiçara, mantêm viva a cultura do café em Jundiaí há mais de sete décadas.
Além da tradição histórica, a cidade reúne cafeterias especializadas, torrefações e estabelecimentos que valorizam cafés de origem, acompanhando uma tendência que cresce em todo o país.
Se desta vez a taça da Copa ficou pelo caminho, a xícara continua sendo motivo de orgulho. E nela, o Brasil segue campeão.
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