Dia Municipal do Combate a Trombose: entenda a doença além da perspectiva médica
Daniele Frasson Vieira compartilha relato pessoal do período em que foi diagnosticada e Dr. Jamil Jorge Abou Mourad, especialista do HSV, explica sintomas, perigos e tratamentos da trombose
Muitas vezes ouvimos falar sobre uma doença, mas não compreendemos os perigos reais que ela pode apresentar à nossa saúde. Quando vivenciamos ou vemos alguém próximo a nós adoecido, entendemos o valor de se prevenir e cuidar da saúde.
Neste Dia Municipal do Combate a Trombose, a TVTEC Jundiaí convida o Angiologista e Cirurgião Vascular do Hospital São Vicente de Paulo (HSV), Dr. Jamil Jorge Abou Mourad, para esclarecer dúvidas sobre o assunto. Daniele Frasson Vieira (30), engenheira, que também participa desta matéria, traz seu relato pessoal e apresenta as dificuldades que enfrentou durante o tratamento da doença.


O que é a trombose?
Às vezes entender uma doença pode ser um assunto muito técnico, mas o Dr. Jamil esclareceu, de maneira simples, o que é a trombose: “A trombose é a formação de coágulos nos vasos sanguíneos, e pode resultar desde uma pequena dor no membro afetado, até quadros mais intensos, como inchaço, fortes dores locais e dificuldades para andar”.
O Dr. também explicou que esta é uma doença que pode ou não ser hereditária, passada de pais para filhos: “Esta é uma doença que pode ser hereditária, mas pacientes acamados, imobilizados ou que já sofreram lesões internas múltiplas, pessoas com neoplasias e indivíduos com doenças genéticas do sangue, também possuem propensão para desenvolver a trombose”.
Além da perspectiva médica
Para além do ponto de vista médico, existe um outro lado: o de quem vivenciou a doença. Daniele relatou como descobriu a trombose e quais foram os primeiros sintomas: “Há cerca de dois anos atrás, acordei com uma dor intensa na perna direita, como eu jogo vôlei, achei que poderia ser alguma lesão, mas mesmo me medicando, a dor continuava. Então, a minha panturrilha começou a inchar e comecei a sentir muito cansaço em fazer atividades simples do dia a dia, como falar, tomar banho e subir escadas. Fui ao médico para entender o que estava acontecendo com o meu corpo, mas devido a demora do diagnóstico, quando descobri que era trombose, a doença já havia gerado uma embolia pulmonar e precisei ser internada às pressas”.
Jovens também são afetados?
Desde então, Daniele começou a se questionar sobre o porquê desenvolveu a doença, mesmo sendo uma mulher jovem e fisicamente ativa. O Dr. Jamil explicou que jovens podem desenvolver a doença e isso é mais comum do que muitos imaginam: “Jovens também podem ser afetados quando apresentam predisposição genética ou estão expostos a situações de risco, como infecções graves. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, houve muitos casos de trombose em pacientes jovens”. Ele também orientou sobre como prevenir: “O jovem que tiver histórico familiar deve procurar um hematologista. Além disso, praticar atividades físicas, evitar o fumo e emagrecer em caso de sobrepeso são medidas que ajudam muito na prevenção”.
O caso de Daniele não se enquadra em nenhuma dessas causas, ela não possui registros de trombose na família, sempre manteve uma rotina ativa e hábitos saudáveis, além de não ser diagnosticada com doenças hematológicas. Então, os médicos concluíram que Daniele desenvolveu trombose devido ao uso de pílulas anticoncepcionais.
Tratamento
A trombose tem cura e pode ser tratada de diferentes maneiras: “O tratamento é feito com anticoagulantes orais, que são medicamentos considerados seguros, já a varfarina sódica, que também é um remédio oral muito eficaz, porém que exige controle laboratorial frequente. Já em pacientes internados, podemos utilizar a heparina de baixo peso molecular, um medicamento injetável”, explicou o Dr. Jamil.
Daniele afirmou que fez o uso de diversos medicamentos para tratar a trombose e também relatou que o ponto mais crítico foi logo no início, quando precisou ficar internada no hospital em observação: “Quando recebi o diagnóstico fiquei em estado de choque, o ponto mais crítico foi quando ouvi que iria para a UTI. Apenas chorava e tinha muito medo do pior acontecer comigo”.
Conforme o tratamento avançava, Daniele se sentia cada dia melhor e quando voltou às quadras, percebeu que estava totalmente curada: “Percebi que estava bem novamente quando voltei a jogar vôlei. Eu pensava que nunca mais poderia jogar, que eu teria uma vida limitada, mas voltar às quadras me fez entender que eu estava, finalmente, bem! E esse retorno foi muito incentivado pelos próprios médicos que me atendiam”, disse. Ela complementou: “Quem já teve trombose uma vez, possui grandes chances de ter novamente, então, mesmo após estar curada, mantenho alguns cuidados. Faço acompanhamento anual com angiologista, pneumologista e hematologista, além de usar diariamente a meia de compressão”.


Aprendizados
Durante esse período de sua vida, Daniele relatou que aprendeu a valorizar, até mesmo, pequenas coisas do dia a dia: “Só quem já esteve em uma UTI sabe quão valioso é ter um dia comum, com isso aprendi que a vida é feita de pequenos momentos vivenciados no dia a dia. Também aprendi a importância de estar cercada de pessoas que me amam, eu fui muito amada, tinha muita gente na torcida por mim e pela minha recuperação, e isso foi essencial no processo”, concluiu.
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