Mulheres criam “correntes do bem” em tempos de isolamento: como ajudar?
Ir à s ruas para ter a vida habitual não faz mais parte da rotina do brasileiro. A recomendação de isolamento social é uma das principais nesses tempos da pandemia do coronavÃrus. Acontece que, sem trabalhar, muita gente não tem renda. E quem tem menos — como pessoas que moram em periferias ou em situações de rua — passa a ter menos ainda.

População periférica de pelo menos três bairros de Florianópolis recebe cesta básica de voluntárias
Por isso, em todo o Brasil, ações coletivas e individuais geram uma verdadeira “corrente do bem” de assistência, dando alimento, itens de higiene e sugerindo medidas de cuidado da saúde mental para quem precisa.
Mulheres ouvidas pela reportagem resolveram colocar em prática a solidariedade. Quem pode, distribui cestas básicas. Em outras soluções, a ajuda vem pela internet.
Todas têm procurado fazer por suas comunidades o que nem sempre tem sido feito pelo Poder Público — e querem que, caso seja possÃvel, as ideias sejam replicadas em outras partes do paÃs.
Vida Corrida
Há 21 anos, o projeto Vida Corrida promove atividades fÃsicas para mulheres e crianças do bairro Capão Redondo, em São Paulo (SP). Mas há pouco mais de dez dias as atividades foram suspensas, por conta do risco de contaminação pelo coronavÃrus.
Em contrapartida e com suporte de voluntários, a maratonista Neide Santos, fundadora do projeto, passou a distribuir mantimentos, itens de higiene, água mineral para os assistidos pela organização. A força-tarefa até agora já beneficiou 700 famÃlias.
Cesta básica
Cesta básica em Florianópolis Em Florianópolis (SC), a presidente da cooperativa de mulheres do Monte Cristo, bairro periférico da cidade, Jaqueline de Sousa Ribeiro, e a presidente da Revolução dos Baldinhos, um projeto de coleta seletiva, Cintia Cruz, reuniram uma equipe de mulheres voluntárias para garantir a distribuição de cestas básicas para a população que precisar. Além do alimento à s famÃlias, elas divulgam informações de prevenção ao coronavÃrus.
Existe Amor em Curitiba
Também em Curitiba, a mobilização da publicitária Luana Lara, ao lado de mais quatro amigos — Luan de Souza, Lucas Kogut, Afro Jr. e Diogo Busse — é por meio virtual.
Eles criaram a página “Existe amor em Curitiba” para centralizar pedidos de ajuda e cadastros de voluntários que podem colaborar com as ações e necessidades, entre elas, fazer as compras no supermercado para alguém que não pode sair de casa, doação de fraldas, roupas e itens de higiene.
Por enquanto, a plataforma conta com 114 pedidos de ajuda, 68 redes de apoio (ou seja, projetos, ONGs e associações) cadastradas. Em contrapartida, há 188 voluntários disponÃveis na plataforma.
Apoio entre vizinhos no Rio
No Rio, moradores da Urca ampliaram a “corrente do bem” entre eles. Tudo partiu da ideia da consultora de empresas Helen Faria que, como muitos brasileiros, se dispôs a ir ao supermercado para os idosos — que fazem parte do grupo de risco — em tempos de pandemia.
Há dez dias, a interação entre quem está no bairro migrou para o mundo virtual e foi criado o grupo “Com Unidade Urca” com mais de 190 pessoas que se dividiram em grupos menores — com categorias como “Saúde mental”, “Cursos”, “Horta comunitária” (para que os participantes se revezem no cuidado com a área).
(Fonte e imagem: Universa)